Meu blogue

Para mim é um prazer; por isso o cultivo...

Para mim é uma facilidade; por isso o divido...

Ele é meu; é de vocês...

http://www.trilhascompoesia.blogspot.com/,

é de quem quiser...


Boblitz



Meu blogue
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)



Se falo de mim, é porque das trilhas eu participo; algumas histórias que são verídicas, delas também participei..., e o resto é ficção, é poesia da cuca em brincadeira...

Se falo de trilhas, é para que vocês se mexam, seja lá do jeito que for, seja lá do jeito que puderem.

Enquanto escrevo, vou lembrando do Djalma, o Vovô por nós assim conhecido carinhosamente, com 64 anos deixando todo mundo para trás, quando assim lhe dá na telha, com suas bicicletas não tão leves e modernas.

Lembro da Suzana na casa dos 50, deixando muita gente na poeira, jovens inclusive.


Lembro do Omar, com 57 anos, outro ciclista fera que não fica para trás, pedalando forte sempre lá na frente.

Lembro do João de
Deus, na portinha dos 50, pedalando adoidado.

Lembro de dois novos amigos que também pedalam, Alinor e Márcia, no Paraná, que participam de um grupo que pedala todos os domingos, os Vaidosos, nascido de uma reunião de cinqüentões que juntaram o verbo com o adjetivo, Vai Idosos, onde hoje pedalam todas as idades...

Quanto a mim, bem..., continuo com meus 57 anos, firme na posição do Carniça, porque paro para bater fotos, porque não tenho o preparo deles...

O resto é quarentão ou na casa dos trinta, alguns mais jovens ainda, e que me desculpem aqueles com mais de 50 a quem não citei...

Para alguém se mexer, basta em primeiro lugar a vontade, em segundo lugar uma visita ao médico de confiança, que solicitará alguns exames necessários, para que surpresas não aconteçam.

Quando nos me
xemos, o corpo responde com mais alegria, pois começa a se livrar das impurezas, desobstruir os entupimentos, trocar gorduras por músculos mais rígidos; até a mente se aproveita do novo nível, longe naturalmente daquilo que nos estressa.

Se o Médico proibir, ainda assim podemos andar, pois temos pernas que foram feitas para isso, se não ligeiro, devagar, e logo estaremos melhorando e subindo escadas com mais fôlego.

Desculpas eu sei existem muitas, todas elas favoráveis e cúmplices da nossa preguiça; eu diria que juntamos o inútil com o desagradável, a apoiar a idéia de estarmos em eterno d
escanso, pois que se mexer cansa e faz suar, produz dores, sede e mais fome, porém tudo isso é passageiro.

Acreditem em mim: logo, logo, entramos na fase do querer mais, não ver a hora de chegar a hora de malhar, de se mexer, seja lá o que for a se fazer esforço, e como num passe de mágica, qualidade acaba gerando mais qualidade.

Meu blogue é isso, meu blogue tenta passar que ainda estamos vivos..., pois basta apenas uma atitude, essa que vocês têm que tomar...

Mexer-se, o segredo de tudo; não é à toa que o Universo inteiro se mexe...

* * *

Voltando a ser criança

Qual o adulto que não tem lembranças..?

Qual o adulto que perdeu as esperanças..?

Qual o adulto que não gostaria de novamente ser criança?

Seja o que for, nunca deixe de sonhar,

nunca abandone um sonho seu...

Conheçam um sonho se realizando...

E comigo sonhemos juntos, um dia conseguirmos...



Voltando a ser criança
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


Estava caminhando para o meu almoço, quando encontrei com duas amigas...

- Vai para onde? - perguntou uma delas.

Respondi que ia almoçar...

- Então vem com a gente, conhecer um restaurante novo que um colega nosso abriu aqui pertinho.

E fomos os três, conhecer o Maná, um lugar gostoso e confortável pela climatização.

Subimos uma escada até o primeiro andar, coisa que ainda estou imaginando se não é para chegarmos lá em cima com mais fome, e me deparei com amplo salão, aquele mundo de comida, só para a gente ficar que nem maluco, se come isso ou aquilo, ou se mistura tudo...

Quando sentamos, perguntei à Clézia se ela já havia comprado a bicicleta... Claro que a resposta foi mais uma das desculpas que ela sempre me arranja, mas, em compensação, me contou que a amiga ali em frente, a Nazaré, estava aprendendo a pedalar...

Olhei para a Naza, como a chamamos, e ela estava só sorrisos, orgulhosa por também poder pedalar. Contou-me que havia ganhado uma bicicleta como presente de aniversário, e que não sabia andar, porém havia descoberto um Instrutor que a estava ensinando.

Por instantes fugi dali, pensando em como um adulto consegue aprender com alguém ensinando, pois na minha cabeça só conseguia visualizar nossas crianças, quando saíamos correndo atrás, segurando-lhes as selas, transferindo-lhes segurança...

- Olha só o vídeo..! - chamando-me novamente à razão, entregou-me o fone celular.

video

Foram tantos risos, que a fome até ameaçou passar... Na minha frente, numa telinha diminuta, uma mulher com mais de trinta, capacete, sorridente e orgulhosa, esportivamente paramentada, numa bicicleta de RODINHAS!!!

De imediato lembrei da Ana Iracema, uma outra amiga que morre de vontade de andar de bicicleta, e que também até hoje não aprendeu...

- Naza, me arranja o nome e o telefone do Instrutor, pois quero fazer propaganda. Quero também esse vídeo, junto com sua autorização para eu poder exibi-lo...

Primeiro teríamos que tirá-lo do celular, depois resumi-lo até torná-lo pequeno, enfim escrever essa história para todos vocês se decidirem, pois que quando queremos, sempre arranjamos soluções...

Dito e feito, adiantou-me o nome do Instrutor e o telefone; escrevi para o Ivan Bittencourt , fone (79) 9979-4568, e batemos um bom papo...

Resumindo, até eu tive vontade de andar naquela bicicleta...

ESCOLINHA DO PEDAL ADULTO, este é o nome singular que nunca tinha ouvido, pois pensava que toda criança aprende a andar de bicicleta, praticamente só.

Engano meu... Muita gente adulta nunca pedalou sozinha, e depois que cresce, acaba colocando a idéia de lado, pois pensa que deixou de ser criança...

Atento, acabei ouvindo a um discurso muito interessante: a própria Nazaré havia começado aquela atividade. O Ivan, amigo da Naza, até que tentou correr uns quinze minutos ao lado dela, tentando dar-lhe a sensação de equilíbrio e segurança, mas rendeu-se ao esforço e ainda ficou com o braço dolorido por alguns dias...

Foi um desafio... Naza pedalaria...

De tanto pensar, viu a resposta ali mesmo na frente dele, numa criança a pedalar numa bicicleta com rodinhas, e tratou logo de construir rodonas reforçadas para gente grande...

Porém, o que me deixou entusiasmado foi a simplicidade com que ele me disse que poderia tornar realidade o sonho que muita gente já julgava esquecido...

Sonhos, minha gente..., sonhos jamais serão esquecidos, mas sim transformados em frustrações. Eu mesmo tive muitos sonhos com a minha primeira bicicleta, e nunca mais a esqueci.

Assim, tornar possível um sonho há bastante tempo adormecido, é conquistar um ponto a caminho do Céu...

Que o Ivan tenha bastante sucesso; que muitos adultos ainda com seus sonhos incompletos, possam torná-los realidade, vindo depois a engrossar nossas fileiras em duas rodas, cortar o vento e sorrir, voltando a ser criança...

Nazaré jamais esquecerá do Ivan, isso eu posso garantir...

* * *

Mergulhando de cabeça

Desci e arregalei os olhos...

Naveguei entre paredes rochosas...

Vi meu firmamento lá embaixo na areia alva...

Subi em paz com minha poesia n'alma...



Mergulhando de cabeça
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


Estávamos nos reunindo no nosso ponto de encontro, vindos de todas as direções...; é interessante observar aqueles pontinhos piscando, convergindo devagar até juntarem-se aos que já estão chegados.

Os primeiros a chegar, sempre encontram vagas para estacionar as bicicletas, mas conforme esse número vai aumentando, acabamos por permanecer em pé, sempre com as bicicletas junto a nós.

É interessante ver aquela gente toda com as mãos nos guidões, pés apoiados no chão, bicicletas equilibradas entre as pernas, como se fôssemos como aquele mítico minotauro, metade humanos, metade bicicletas. Assim, a roda vai aumentando, pois bastam três ciclistas começarem a conversar, e uma boa área quadrada se estabelece com tantas bicis como rabos...

Alguém bateu em meu braço, me virei e recebi uma folha me oferecendo um curso básico de mergulho. Agradeci, dobrei a folha para examinar mais tarde quando estivesse com os óculos, e mais um pouco seguíamos para a pedalada, um outro tipo de mergulho, onde as ondas são gasosas...

Em casa, livrando-me da tralha suada, percebi o papel meio molhado pela transpiração, meio borrado pela tinta diluída; depositei-o sobre minha bancada para que fosse secando, enquanto eu cuidava de tudo mergulhar no sabão em pó.

Enquanto ia para o tanque, ia também pensando que o papel molhado e borrado, tratava de assunto relacionado com água, portanto, estava tudo certo.

Falava de instrução sobre mergulho autônomo, com cilindro de ar comprimido, e mergulho livre, apenas com snorkel, adrenalinas multiplicadas, experiências inesquecíveis, diante das tantas belezas lá por baixo...

A propósito: falava também da PADI (Professional Association of Diving Instructors), a melhor Certificadora internacional para emissão de credenciais de mergulho autônomo.

E minha memória logo se deslocou no tempo, lembrando do sobrinho Cláudio que a pratica por esses mares aí afora...

Lembrei também do Yukio, com quem trabalhei um dia lá em Urucu, no Amazonas, que praticava a pesca submarina. Numa daquelas conversas, ele me disse que necessitava de muito treino, principalmente para a capacidade pulmonar, ou, perdoem a minha leiguice, o tempo que o mergulhador conseguia ficar submerso, sem respiração.

Na época, raciocinando rápido e prático, perguntei por que ele não utilizava os cilindros de ar comprimido!?

Ele respondeu que assim não seria nada esportivo, que o peixe não teria chances, pois que a pesca submarina é objetiva e concisa, onde o predador tem que contar apenas com os próprios recursos, ou seja, no ambiente natural da presa, não é nada fácil capturá-la de igual para igual...

E lembrei das belezas que ele via, pois não apenas pescava, mas também admirava um mundo completamente diferente do que estamos acostumados aqui em cima.

Liguei para os Instrutores e pedi permissão para divulgá-los, e que me mandassem algum material bonito para mostrar, essas fotos que vocês já vieram deglutindo, como um Chão de Estrelas, Visitando um Amigo, Passeio pelas Cavernas, e Bailando sem Peso, títulos que me vieram à cabeça, pois que a poesia também pode ser encontrada no fundo do mar.

Para os interessados, o nome dos Instrutores, e fone para contato:

Instrutor PADI-154266 - Ricardo Stangorlini; Dra. em Cirurgia Pediátrica - Fabíola Pollachi; (79) 9811-2919; fpollachi@gmail.com - Aracaju - Sergipe.

Como o meu coração vai bem, meus colesteróis melhores ainda, minha capacidade pulmonar melhorando a cada dia de pedalada, acho que vou conversar com eles, pois soube que eles também parcelam em três vezes.

Os limites!? Somos nós quem nos impomos...

* * *

Montado no próprio negócio

O trabalho requer suor, e a vida requer trabalho...

Suando vamos trabalhando, imaginando e descobrindo,

desbravando e inovando, agradando a quem servimos,

recebendo pelo trabalho, gerando vida e mais amores...

Bicicleta também é sucesso,

e sucesso é o que desejo para vocês.



Montado no próprio negócio
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


Por certo já observei muitos negócios, mas, tendo a visão um pouco obliquada para as bicicletas, passei a enxergá-las com mais cuidado, e comecei a descobrir um mundo empresarial que gira literalmente sobre duas rodas...

Não estou aqui me referindo aos que se utilizam das bicicletas para o ir e vir, seja lá para o lugar que for, mas sim aos que apresentam e negociam seus produtos, montados na ditas cujas, agora gordinhas pelas cargas transportadas.

Tiramos 100 gramas de nossos equipamentos, e já nos damos por orgulhosos, inclusive comentando com os amigos, dando as dicas e detalhes.

Nossos outros amigos, anônimos sempre de passagem, normalmente sem pressa, se podem, colocam a cada dia mais carga...; é por exemplo aquele tipo de pastel com algum outro recheio diferente dos que eles já vendem, como o de queijo ou carne moída, ou, o novo sabor de suco que é transportado aos litros, e cada litro pesa um quilo...

Estão sempre sorridentes, atendendo clientes que não se dão conta do fardo ali em frente, transportado todos os dias o dia todo, amainando conforme o estoque vai findando.

Já vi bicicletas de "Som", e me pus a imaginar a quantidade necessária de energia para manter um negócio desses em movimento... Na frente, uma caixa de som tamanho bem grande, alto-falantes voltados para a frente e para os lados, um lugar para algum "folder"; atrás, outra caixa de som com as mesmas bocas de ferro, pois o negócio é esse mesmo, divulgar algum anunciante que normalmente está pelas proximidades, observando a qualidade do serviço sendo prestado.

Som não sai de graça, portanto existe uma bateria automotiva por ali em algum lugar, dissimulada e bem pesada; no guidão, os controles de graves e agudos, altura e liga/desliga; já vi um que tinha também a entrada para o microfone, outro item também pesado.

A bicicleta e a roupa também não deixam por menos, pois precisam, através dos enfeites, chamar a atenção para o negócio que, pela penetração, necessita se locomover, e aí entram os pedais, giros e mais giros para todo mundo ser alcançado...

Nunca mais vi aquelas de Padeiros, onde o baú, suportado pelas duas rodas dianteiras, era o próprio guidão, baús imensos com uma tampa abrindo para o lado, tudo em alumínio, um peso adoidado, freio contra-pedais...; quando menino, experimentei uma carregada, do padeiro que pontualmente nos trazia o pão do dia; só consegui seguir em frente, mesmo assim por poucos metros...

Outro dia, observando o meu amigo Agnaldo, 53 anos, um Faz-tudo que passa o dia inteiro rodando pela área, reparando coisas, montando coisas, desmontando outras coisas, enfim, pedalando aquela geringonça com sua mala de ferramentas tamanho família obesa..., 60 cm por 50 cm, transportando furadeira, parafusos, chaves diversas, alicates e outro montão de apetrechos necessários, pedi para dar uma voltinha...

É uma bicicleta cargueira, na traseira uma roda normal com um bagageiro convencional mais largo, na frente uma diminuta, para que o bagageiro, uma estrutura tubular, possa carregar a carga propriamente dita.

Logo no início estranhei, quando senti o peso todo deslocado para a frente... O bagageiro também serve de descanso, uma outra estrutura também pesada, a dar sustentação ao conjunto todo.

Algum de vocês já deu uma volta numa Harley-Davidson, das antigas? Pois a bicicleta do Agnaldo é a própria Harley-Davidson das bicicletas... Fora do descanso, ela quer cair para um lado, ou para o outro, e não adianta tentarmos equilibrá-la entre as pernas...; caímos junto com ela...

Olhei para a cara sorridente do Agnaldo e dei partida..., nos pedais! Saí com uma espécie de Mal de Parkinson, numa tremedeira desenfreada, pois enquanto eu equilibrava para um lado, a bicicleta puxava para o outro, e na compensação, tudo voltava e se invertia, para uma nova compensação, claro que sob as risadas maldosas do Agnaldo, que parecia curtir com a minha cara...

E ele passa o dia inteiro pedalando aquela coisa...

Já vi muitas bicicletas engraçadas e desajeitadas; garanto que todos vocês também já viram, e de agora em diante, poderão prestar melhor atenção, pois só quem pedala, sabe o que uma parada produz nas pernas...; vamos ao zero, para recomeçarmos tudo outra vez...

Imaginem então, o que é provocarmos uma parada num ciclista-empreendedor, ou ciclista bem carregado, quando bastaria que diminuíssemos um pouco a nossa marcha, dando prioridade ao que já está penoso, e depois apertarmos novamente aquele pedal da direita que faz o motor rugir mais alto...

É maldade, das grandes...; é falta de consideração, é falta de bom senso, de educação, de cortesia, de cidadania, é falta de uma porção de coisas, e é excesso de arrogância, pedantismo, não respeitar aquele que bem luta para ganhar a vida...

Quando vejo um trabalhador numa dessas bicicletas, fico pensando no que eles fariam numa moderna bici esportiva MTB...

Creio que subiriam até coqueiros...

* * *

O futuro está sempre começando

Hidroponia até rima com poesia...

Como é trabalho com alegria,

pôr no blogue não destoa...,

afinal não deixa de ser uma aventura,

olhar a água, que tão pura,

corre embelezando a raiz, dando verde à planta, o sabor que entoa,

o gosto firme da Natureza,

e um pouco mais, tudo em vossa mesa...

São meus convidados, todos vocês que gostam de qualidade,

não importando qual seja a de vocês, a idade...




O futuro está sempre começando
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


O homem buliçoso está sempre a descobrir, e a desenvolver, e a melhorar, e a progredir, que fazendo tudo isso, contribui com todos da mesma espécie, e com vários outros de outras espécies.

De coletor para agricultor, não deve ter sido um grande passo, mas daí em diante, tudo deve ter mudado a passos largos...

Chegamos enfim, já há alguns anos, à Hidroponia, onde hidro é água, e ponos trabalho.

Trabalhamos com água, com muita garra, pois incríveis são os climas, as temperaturas, as espécies cultivares, os diversos paladares, as pragas que nos desafiam, os desafios que sempre acabamos transformando em passado, seja pela criatividade, seja pela nova técnica...

Um Encontro se destina, além de uma fraterna irmanação, à divulgação de novas idéias, novas práticas, novos produtos, novos esclarecimentos, novas filosofias, novos comportamentos, novas posturas, principalmente aquelas comunitárias, novos desafios, e quantos "novos" vamos acabando por descobrir em meio de tantas conversas boas.

Assim foi o 4º Encontro Brasileiro de Hidroponia, em Florianópolis, na ilha, na praia dos Ingleses, num hotel confortável cheio de comidas verdes, onde ouvi o título dessa nova crônica, pois o futuro, a cada instante, se renova.

Este assunto não é propriamente poético, nem tampouco se trata de uma trilha, mas trilhá-lo significa um lado poético de se fazer as coisas bem feitas para o semelhante, livre de agrotóxicos, pouquíssimo manuseio, livre das impurezas por ser produzido longe do solo, em água pura sem poluições, pois que na qualidade da água reside o segredo da boa produção.

Profissionais que já fizeram História, como o canadense Howard Resh que difundiu a técnica para o mundo inteiro, hoje em Anguilla no Caribe; os brasileiros Jorge Luiz Barcelos, Pedro Furlani, Valdemar Faquin e José Guimarães, pesquisadores e autores que ainda continuam difundindo a hidroponia pelo Brasil inteiro; e profissionais que pela juventude ainda farão História, como o uruguaio Álvaro Cortazzo, os brasileiros Luis Purquerio, Roberto Konno, Thiago Factor, Luis Paterno, e o produtor hoteleiro em Fernando de Noronha, o Zé Maria, todos nos passando experiências e conhecimentos, que levaríamos meses para perceber.

Um sucesso garantido por 164 participantes, 1 de Anguilla, 1 do Uruguai, 2 de Angola, 1 de Costa Rica, 1 da Argentina, e os restantes 158, do Brasil inteiro, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, e do Nordeste, e do Sudeste, e do Planalto Central...

Pepinos, tomates, pimentões, alfaces, berinjelas, morangos e pimentas, uma verdadeira salada de saúde, a nos alimentar as mentes em verdades; forrageiras a nos propor dividendos com o gado; predadores naturais e armadilhas a nos garantirem a saúde dos consumidores; aeroponia a nos incentivar na pesquisa do futuro; soluções inteligentes para contornarmos os obstáculos; inteligentes soluções nutritivas a nos propiciarem belas colheitas; conselhos e ensinamentos por uma Terra mais humana, mais saudável, maior para mais vida...

Quatro dias falando em vidas, dessas plantinhas sempre molhadas a nos sorrirem, a nos agradecerem os bons cuidados, para justamente você Consumidor, apreciá-las todas com raro encanto, em crocantes seivas mastigadas, de alimentos que lhe chegam ainda vivos...

Por último, uma visita aconchegante, numa estufa cheia de amor, experiências a todo vapor, de um coqueiro já meio grande, passando por uma Jabuticabeira um pouco menor, até os doces morangos, não tão doces pela falta de mais potássio, erro proposital de quem estuda, de quem observa, de quem ensina e mais aprende, de quem se dá em sacerdócio, para os alunos e a comunidade, o incansável Prof. Dr. Jorge Luiz Barcelos, educado educador.

Mal começo a me organizar aqui em casa, já recebo material, informações e solicitações por mais informações, dum sujeito que ainda nem direito dormiu, que leva o Labhidro no peito (http://www.labhidro.cca.ufsc.br/), pois que nele está o coração, este sujeito que bombeia, como a bomba a solução, mais vida para todos...

Parabéns Dr. Jorge Barcelos, pelo desprendimento visível do seu trabalho; por favor, dê um abraço no Mitsuo, pelas mudas de Menta que vocês dois me deram, já plantadas, com carinho regadas; a Deus que me conceda na rebrota de todas elas.

Até o ano que vem, se Deus quiser, e até que o 5º Encontro não chegue, que possamos ter a honra de perguntá-lo e recebê-lo. Parabéns...

* * *

Passeio até o Mosqueiro

Hoje o dia parece ter sido de preguiça...

Quem chegava, ia logo dizendo que queria ir para a balsa...

Era o que eu também queria...


Passeio até o Mosqueiro
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


Mosqueiro é um povoado bem na foz do rio Vaza Barris, onde estão a construir uma ponte bonita que desativará as balsas que nos atravessam, pois do outro lado, continua o lindo litoral sergipano rumo ao estado da Bahia.

Como o percurso foi todo pelo asfalto, não o chamo de trilha, mas de passeio...

Saímos algo em torno de uns dezoito amigos, no começo um pouco lentos para nos aquecermos, aumentando o ritmo pouco adiante.

Seguimos pela avenida de dentro, longe da orla portanto, vento a favor... Variávamos de 25 a 28 km por hora, uma boa média, considerando que naquele ritmo, levaríamos 1 hora para chegarmos nas balsas.

Pensava no vento da volta, vento contra, e se estivesse como esteve no dia anterior, eu estaria frito...

O vento a favor parece elevar a nossa temperatura, pois ele navega junto conosco, não produzindo aquele vento relativo a passar por nossos corpos, levando embora nossos suores.

Assim, quando isso acontece, até o barulho diminui. Foi aí que observei o grupo inteiro coeso, no mesmo ciclo, num bloco só, a parecer um enxame de abelhas zoando pelo asfalto com todas aquelas rodas denteadas, cheias de pequenos cravos...

E me embalei como se fosse um grande zangão, escutando a própria trajetória. Quando vamos bem, até ficamos mais alegres... Emparelhei com o Gilton e puxei conversa, e essa conversa nos fez atrasar pela desconcentração; quando se fica para trás, o prejuízo é muito grande, pois se andar pesado já é difícil, andar mais pesado ainda, torna-se exaustivo. E fomos ficando para trás..., numa demonstração prática, que a energia despendida é diretamente proporcional ao esforço empenhado.

O que eu não sabia, era que havia outro Carniça atrás de nós, não que ele seja principiante, mas porque necessitou parar por alguma razão, razão perversa que não nos permite tirar o prejuízo, senão um tempão depois... Quando já estávamos chegando, encontramos Vovô em sentido contrário, na magricela dele de dez marchas, voltando para ver se algo havia acontecido conosco.

Enfim chegamos e pude tomar um saboroso caldo de cana com gelo e limão, logo encomendando outro e um pastel de camarão. O Carniça chegou e descansamos mais um pouco, conversando e sorrindo a cada gozação. Os primeiros 25 km já haviam sido percorridos...

Levantamos criando coragem, e logo um deu a idéia de voltarmos pela orla; seria vento contra, e do tipo direto sem nenhuma proteção... Limite é coisa que, embora queiramos, não conseguimos ultrapassar... Não deu outra, e logo o grupo se afastava de mim, num vento que chegava a entortar a bicicleta, nos obrigando a compensar.

Comigo ficaram também o Azarias, o Vovô e o Fernando, em explícita consideração. Encontramos o Pedro Viégas a remendar o segundo furo no pneu de trás; paramos e o ajudamos, e recomeçamos tudo outra vez, para mais à frente, o pneu dele furar pela terceira vez; brincando, disse-lhes que havia rezado para isso, pois assim eu descansava um pouco. Próximos da conclusão do reparo, Fernando virou para o Vovô e disse que lá na frente, deveriam estar a colocar a culpa no Boblitz.

Partimos novamente e o vento mais castigou... Lá na frente, perguntei ao Pedro se o pneu dele não gostaria de furar novamente... Sorrimos e continuamos... Mais um pouco, Pedro dobrava para ficar em casa, ali próxima, com seus micos soltos e naturais a visitá-lo diariamente atrás do desjejum, e nós continuávamos, agora mais amenos, pois os restaurantes nos quebravam o vento, tornando a tarefa menor.

Cheguei em casa, verifiquei os quase 55 km pedalados, tomei um banho e corri para a Roça; no caminho me pus a pensar, no que seria pior, se um plano onde não podemos parar de pedalar?, ou um sobe e desce, quando descendo refrescamos nos pedais?

Ainda estou pensando...

* * *

Trilha do Labirinto

Labirinto é coisa complicada ou de desenho confuso, dédalo... Cruzamento confuso de caminhos, labirinto... Onde nos perdemos com facilidade, pois caminhos são diversos naquele canto, mas aqui vocês não se perderão...

(no orkut, todas as fotos)


Trilha do Labirinto
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


Vivo pregando que bicicleta aproxima o homem da Terra; isso significa que assim podemos praticar a nossa própria humildade, pequenez diante das coisas belas que Deus criou; significa que com a bicicleta, fora do asfalto e das ciclovias, em plena Natureza, às vezes ainda selvagem, temos a chance de produzir um elixir para a mente e alma.

Trilha para mim, é aquela em que podemos parar debaixo de uma sombra, dedicarmos um tempinho à boa vista à volta, sentirmos o cheiro de bosta de vaca no ar, verificar o ar gostoso que nos passa, acariciando a pele suada, baixar o tom da pulsação, como se estivéssemos num templo em oração, praticarmos a boa conversa, sentados com a bunda no chão, ou sobre um verde a se estender pelos tantos vales abaixo de nós.

Temos a chance de sermos diferentes, mas indiferentes continuamos em frenesi, subindo e descendo, subindo e descendo, subindo e descendo, subindo e descendo, e subindo e descendo mais uma vez para todos vocês cansarem de ler subindo e descendo; parecemos doidos, preocupados com relógios, com horas e horários...

Trilha boa é aquela em que temos tempo de registrar as passagens belas e magníficas, veredas únicas que nos enchem os olhos, que nos tiram a respiração...

Não sendo assim, não é trilha, é treinamento... Assim, se meu objetivo é trilhar alguma coisa, e descubro estar no meio de gente que só sobe e desce, estou no grupo errado... Qual é o compromisso, que me obriga a ficar preocupado com a hora? Ora, se tenho algum compromisso, aquele não é um bom dia para trilhar...

Treinamos, minha gente, quando nos preparamos para alguma competição, e se alguém faz isso no meio de uma trilha, está sendo injusto com aqueles que o acompanham instintivamente. Se eu saio para passear, quero passear; se eu saio para treinar, então devo treinar com profissionalismo, marcando tempos, distâncias, cronometragens, enfim, eu comigo mesmo e a máquina, e não com ciclistas que nunca serão páreo para quem sempre está treinando.

Agora entremos na crônica propriamente dita:

Ciclistas de pouca fé, onde estão vocês? Por que não fizeram como a Marília, o Moisés, a Eliane, o Givaldo, a Dayse e o Saulo, 6 no meio dos 18 que saímos com o Pedal do Zé?

Essa foi a primeira trilha de todos eles, do começo ao fim..., das seis e meia até às onze e meia da manhã, pelos cerca de 56 km que rodamos. Parabéns para eles, e para vocês que não tiveram coragem, apenas a água na boca, pois que é possível, é acima de tudo, muito gostoso. Olho o meu reloginho computador, e verifico que queimei 2.200 kcal, um número a servir apenas como parâmetro, mas quem se importa com a exatidão?

Importa que eu fui, pedalei e cheguei; importa que me diverti, conheci lugares que não conhecia, avistei paisagens que me engordaram a alma...

Pegamos a rodovia João Bebe Água, e na altura do posto da Polícia Rodoviária Estadual, adentramos pelo estradão, passando por areia frouxa, piçarra solta, seixos rolados, argila seca rachada, erosões e curvas a nos requererem cuidados, além de muitos amigos que paravam de pastar, nos olhando com curiosidade, até que chegamos na outra rodovia que dá acesso a São Cristóvão. Foi só descer um pouco e já estávamos na BR-101, a 500 metros de onde sempre tomamos um café reforçado.

De lá saímos em direção ao Feijão, um povoado, mas passamos da entrada dele, e enveredamos por outro estradão, com mais fazendas e animais, até que o estradão foi minguando, minguando, minguando até tornar-se em caminho de homem a pé, chão coberto de folhas secas, raízes sobressaindo, sombra pela vereda inteira, um calor abafado, pois o vento passava por cima da mata, até desembocarmos na João Bebe Água de novo.

Foi uma trilha sem igual, e só não foi mais bonita porque alguns teimam em treinar, ou se empolgam diante das tantas ramagens que se insinuam roçando na gente, galhos que querem também crescer, fechar a vereda para ninguém mais passar, guardar novamente os segredos dos caminhos belos...

Ciclistas de pouca fé..., nem tudo está perdido...; outras trilhas do Pedal do Zé, virão...

Quero encontrá-los todos lá, num local completamente diferente do asfalto, onde vocês deixam de ser citadinos, para tornarem-se verdadeiros aventureiros, conhecedores dos segredos da terra onde vivem, que só vêem em programas de televisão...

Para encerrar, o Ricardo Hsu, ciclista experiente e sempre severo, mostrou-me o capacete com uma pedra incrustada, como que um diamante diferente a enfeitar o coco duro, ou a lembrá-lo de que as quedas podem ser muito dolorosas, até mesmo graves, diante da falta de um equipamento de proteção individual. São itens imprescindíveis: capacete, luvas, óculos, protetor solar; o resto é complemento...

* * *

Energia

Não basta a vontade; há de haver a condição, o poder...

Não basta a valentia; há de haver a humildade...

O porquê do que eu falo, aí adiante...



Energia
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


Há poucos dias, escrevi sobre a segurança que devemos levar em conta, quando estamos numa bicicleta; esqueci da energia, esta relacionada com a nossa própria segurança interna.

Quinta-feira de noite, fiz o pedal, cheguei em casa depois das dez, sentei e escrevi a crônica, fiz as críticas ao texto, publiquei-o. Olhei para o relógio e o tempo havia voado; fui dormir depois de uma da madrugada...

Sexta-feira, o despertador me acorda como plano "B", ele tocando por eu não ter acordado antes de desarmá-lo, às quatro e meia... Fui para a sala de aula, último dia da primeira etapa de um curso que a empresa ministrava. Os amigos de Maceió necessitavam pegar um avião, pois com o horário de Verão, ele estava 1 hora mais cedo na pista esperando. Resolvemos não parar para o almoço, e próximo das duas da tarde, nos despedíamos todos.

Almoço? Eu havia perdido a fome... Fim do expediente, saí correndo para comprar ferro e arame, pagar o aluguel dos andaimes, e às seis da tarde eu comia um pão ligeiro com café puro, para mais correr em direção à Roça, onde o primeiro dos 6 caminhões me aguardava para ser carregado de frango. Das 7 da noite de sexta, com certo atraso, até às nove da manhã de sábado, passamos a noite pesando e anotando as caixas que saíam dos galpões.

Cheguei em casa por volta das dez; o almoço ainda não estava pronto. Tomei um banho, comi um pãozinho com vinho e fui deitar, dormindo a tarde inteira. Acordei, jantei frugal, fui para o computador, e por volta das dez eu já me deitava novamente, para acordar no domingo às quatro e alguma coisa.

O corpo não precisa apenas do descanso; precisa também do combustível a ser queimado, quando assim solicitado, e eu o solicitaria no domingo, na trilha para Rita Cacete, um pequeno povoado próximo de São Cristóvão. Infelizmente eu descobriria que não tinha combustível a ser queimado, bem no meio da trilha...

Seis horas de uma manhã de muito sol, saímos cerca de 12 ou 13 ciclistas, num domingo calmo e sonolento. Pouco antes de chegarmos à Terra Dura, meu pneu furou pela primeira vez.

Fizemos o reparo e nos mandamos novamente, dando uma pequena parada embaixo de uma grande árvore, bem no início da trilha, que convencionamos ser o local para nossas orações, sempre agradecendo e solicitando uma boa trilha.

Passamos em frente à grande lixeira, que dessa vez estava bastante fedorenta, e seguimos em direção à nossa primeira grande ladeira. Gilton, brincando comigo, primeiro fez um elogio ao meu progresso, depois simulou um reboque, agarrando-se ao meu ombro. Comecei a rir e não consegui terminar de subir, quase já no alto, onde paramos para o Gilton encher o pneu dele.

Continuamos e mais um pouco João de Deus nos aguardava, quando Gilton parou mais uma vez para fazer algo naquele mesmo pneu. João ficou e segui em frente para juntar-me aos outros; estavam todos debaixo de uma boa sombra, e quando cheguei, todos seguimos em frente, ocasião em que Raimundo, o líder, retornou para dar apoio aos dois, nos alcançando depois.

Bem mais adiante, já tendo o Raimundo nos alcançado há um bom tempo, notamos a falta insistente daqueles dois, e de mais dois; enquanto continuávamos, Raimundo e Alexandre retornaram, e quando nos encontramos novamente, soubemos que alguém havia caído. João de Deus, Gilton e João Arruda estavam retornando, abandonando a trilha para dar socorro ao amigo que se acidentara.

Seguimos em frente e chegamos num trecho de muita areia frouxa, onde a mata quase fecha e quando começa a descida, nos apresenta erosões e raízes - mais uma queda, leve e boba, segundo a própria vítima, pois às vezes, nem nós entendemos como as coisas acontecem.

Vencemos aquele trecho apertado e por fim mergulhamos numa grande descida que desemboca num pequeno riacho, não sem antes acharmos água numa casa humilde, com uma bela e bem cuidada horta de lado.

Acho que esse negócio de bicicleta faz troças com nossas mentes... Ao continuarmos, depois dessa sombra e boa água, Raimundo montou na bicicleta errada e saiu pedalando...

- Ei!, vai com a bicicleta trocada mesmo!? - perguntou o dono, sentado num banco de coqueiro.

- Bem que eu estava achando diferente... - respondeu Raimundo, depois de algumas pedaladas.

Lá mais atrás, num costume que acabamos desenvolvendo, ao procurar ver se tudo estava nos três bolsos da camisa, apalpei algo macio e redondo... Não lembrava de ter colocado no bolso esquerdo, além do telefone celular, algo macio e redondo. Apertei com mais força, apenas para descobrir que estava apertando a própria bunda...

Depois do riacho, depois da subida empinada, mais um pneu furado, desta vez o do Alexandre; segui em frente para adiantar, já que sou sempre o que atrasa o grupo, mas o dia era de furos - encontraram-me empurrando a bici; mais outro pneu furado, o meu segundo furo...

Enquanto o Raimundo o reparava, lembrei do meu freqüencímetro, que havia programado para emitir o alarme sonoro aos 147 batimentos cardíacos por minuto; cheguei aos 174, e se depender desse aviso, morrerei por ser meio surdo...

No entroncamento para a descida até o rio Vaza Barris, decidimos, pelos atrasos ocorridos, seguir direto para São Cristóvão, deixando o rio com sua ilha, e Rita Cacete, para uma outra trilha. Num pequeno Boteco, nos servimos de água, sucos de acerola e tamarindo, sanduíches de queijo, um bom descanso e prosas, e já estávamos prontos para a partida, dessa vez de volta a Aracaju.

Logo na saída, reclamei de meu pneu por achá-lo meio murcho; paramos e dessa vez, a válvula não segurava o ar. Continuamos por uma longa subida pelo asfalto, comigo ficando para trás - eu estava muito cansado, e o hodômetro apenas marcava cerca de 38 km rodados...

Lá em cima nos encontramos novamente...; eu estava a atrasar o grupo, coisa que me deixa chateado, mas já estava decidido: quando eles retomassem a trilha, saindo da João Bebe Água, eu seguiria em frente, atrás do socorro lá de casa.

Dito e feito, quando eles se afastaram, liguei para a Esposa e pedi o meu resgate; aos 44,8 km, eu encerrava por aquele dia, sentado num banco à sombra, bem defronte do posto da Polícia Rodoviária Estadual de Sergipe.

Enquanto aguardava, pensava como podia uma trilha tão pequena, metade das que já fiz completas, arrasar-me tanto assim?

Enquanto o sangue esfriava, o freqüencímetro diante de meu sorriso apontava para uma pulsação que piscava em 104, lembrei da péssima alimentação daqueles dois últimos dias; estava a queimar somente reservas, e ciclismo não tem como fundamento o emagrecimento, este sim conseqüência, de energias gastas nos pedais.

Ciclismo deve se basear na responsabilidade, no reconhecimento do próprio limite, no saber parar para poder continuar, outras trilhas poder curtir, outras terras poder girar, outras paisagens poder sonhar, outros sorrisos poder desopilar, outras conquistas poder usufruir...

Mais uma lição nova aprendida, de que não somos iguais nem a nós mesmos, que todo dia representa uma mudança, que depende como nos comportamos no dia-a-dia.

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