Aracaju - roteiro da luz...

"Ajuda é a mulher do Juda",

já dizia um bom amigo meu.

No entanto, nunca somos enganados,

pois que fazemos de coração...



Aracaju - roteiro da luz...
(Paulo R. Boblitz - dez/2009)


Este foi o último passeio noturno das terças-feiras, do ano de 2009...

Novidades no ar...; parece estar havendo um racha no grupo que tem suas raízes há pelo menos 16 anos, quando uma turma alegre saía pedalando atrás de um carro de som, dando início a isso tudo.

Racha significa ruptura, que significa divisão; uma grande ironia...

E como ficamos? Divididos?

Não é a divisão, que faz crescer a vida? Não são os raios do Sol, divididos e lançados para todos os cantos? Não é ele quem bem ilumina?, quem faz a luz subjugar as sombras?

Egos..., quais estrelas cintilando falsa luz, a misturar-se entre as tantas luzes de nossa querida cidade...

Diz a teoria que a divisão é a soma ao contrário, um conjunto de sucessivas subtrações...

Quantos egos foram necessários para subtraírem tantos pedais da terça? Quantos Pedais se juntaram para dividir..?

Oxalá essa divisão se tornasse maior..., se resumisse em cada Pedal e seus pedais, girando cada um em direções diferentes, chegando juntos num ponto único de confraternização...

E foi culpa minha transformar um pedalzinho em pedalzão...

Esquecemos-nos de que os pedais são livres, espontâneos, prazerosos, feitos com aquela apetitosa vontade de ser a prática em conjunto com outros pedais, como qualquer outra prática esportiva, amadora, sem fins lucrativos, apenas pelo prazer de se movimentar.

Novidades no ar..., mas a persistência sempre costuma acertar, enquanto que o modismo acaba passando como tantos que surgiram e desapareceram, substituídos por outras cores, interesses, por que não também egos..?

Terça-feira que vem estarei no mesmo lugar, e se achar alguma coisa errada, novamente reclamarei como fiz neste último passeio, pois que é através das reclamações que as coisas mudam. Quinta-feira estarei de volta no Posto Select, e sozinho vou pedalar se necessário, pois que pelas divisões, as coisas sempre diminuem...

É a todos vocês que me dirijo, pedais que embelezam e compartilham, pois que sem vocês, nenhum Pedal tem sentido e valor, por ser a nossa força a impelir os dois...

Se antes eu defendia alguma remuneração para os Pedais, hoje a condeno, pois que ninguém cobra do outro para jogar bola, ou arremessá-las ao cesto ou por cima das redes, ou simplesmente andar ou correr no calçadão.

Que cada Pedal sobreviva de seus Patrocínios, ou reverta à mediocridade por incompetência.

Pedalamos porque gostamos, portanto isso não requer pagamento; quem gosta de pagamento, é Academia...

No apagar da luz de 2009, todas as nossas luzes de festa, vontade de um povo a se tornar mais bonito na hora da celebração, Natividade e todo um começo de novo, num ano que já se chega formoso.

Árvores com pingentes, paredes antes frias apenas pintadas, agora quentes resplandecentes, vivas emitindo amor, distribuindo luz e aconchego em cada alma que se dedique a tudo sorver...

Assim foi o nosso passeio, o último do ano, juntando nossas lanternas às luzes da cidade, como se complemento fossem, como se todos nós fôssemos uma festa ambulante..., sem egos, sem interesses...

Críticas!? A mim mesmo, por acreditar...

Se vou errar de novo!? Com certeza, pois boto fé em cada pessoa...

Deixemos o comércio para a hora do expediente, esse mesmo em que todos apenas correm sem respirar, competem pela velha Cara e Coroa, valores que nada representam, diferentes daqueles que cultuamos, luzes internas brilhantes que sempre pulsam e não piscam, por serem firmes porque são perenes...

* * *

Natal com os pedais - I Passeio ciclístico natalino

Nunca fui um Papai Noel...

Nem com meus filhos, experimentei ser...

Abrir presentes não é a mesma coisa de levá-los,

entregá-los a quem não espera recebê-los...

Enfim descobri que Papai Noel é bem real,

que ele vive em cada um de nós, aguardando...

A decisão compete a cada um, torná-lo real ou deixá-lo fantasia...

Partilhem conosco a nossa festa, sintam-se em casa, façam de conta que vocês também estavam lá.

Descubram como é gostoso participar, enfim doar-se por poucas horas, num ano com milhares delas...

Aproveite você agora, para fazer seu alistamento,

aqui no Trilhas com poesia, pegue o endereço.

Não precisa vir para cá; você também mora numa cidade...

Obrigado a todos, palmas para o Aranha, feliz natal...


Boblitz



Natal com os pedais - I Passeio ciclístico natalino
(Paulo R. Boblitz - dez/2009)


Foi um sucesso...; 326 pessoas pedalando, de vermelho, presentes às costas, piscando pela noite em busca das crianças, que foram muitas e felizes...

Todos arranjaram um gorro vermelho, e um saco generoso a tirar surpresas para uma criançada que sorria...

Aranha deu a idéia, a Prefeitura se mexeu, todos apoiaram e muita coisa se arrumou...

Foi feito um planejamento, um roteiro chegou a ser desenhado, uma ordenação de instituições priorizadas, mas na hora H o que valeu foi a improvisação, dando certo pois partia dos corações, todo mundo com disposição, fazendo a coisa andar e dar certo, ordenadamente fora do planejado, prova de que a boa vontade sempre prevalece.

Problemas? Nada que uma primeira vez não tenha, pois uma idéia, mesmo simples, a envolver tanta gente assim, necessita de uma logística de guerra, antecipada, e aqui me utilizo desse termo militar, pois que foi um verdadeiro e avassalador assalto contra as hostes da tristeza.

Como uma pequena tropa de cavalaria em pedais, alcançamos um a um nossos objetivos, conquistando cada coraçãozinho apertado que nos aguardava, plantando em cada um, a sementinha da Esperança.

Pela ordem, não necessariamente nessa ordem, tomamos de assalto e conquistamos:

- Lar Meninos de Santo Antonio

- Abrigo Caçula Barreto

- Casa Santa Zita

- Lar Infantil Cristo Redentor

- Oratório Festivo São João Bosco - Oratório de Bebé

Embriagado pelo meio da caravana, tonto com tantas rodas girando, zonzo com tantos pedais subindo e descendo, não lembro por onde andei, nem sei por onde passei, pois olhava apenas para os olhinhos que nos recebiam encantados e cheios de muita vida.

Lembro sim do último rincão, pois ali enfim paramos, última conquista com descanso para a tropa, Lar Infantil Cristo Redentor, onde a criançada moradora em redor, também carente, nos recebeu com alegria, acabando de vez com nossa munição de paz e amor...

Lembro também de uma criança em especial, desta feita no Oratório de Bebé, linda tornada pelos sentimentos, pequenina do alto de seus 4 ou 5 aninhos, num velocípede cor de rosa, dando lição de honestidade e desprendimento...

Quando ia receber um segundo presente, recusou dizendo que já ganhara um... Ensinou na prática como devemos viver e conviver, repartindo como um dia Jesus repartiu, deixando para as que ainda não haviam recebido, seu gesto nobre de menina menininha, pequena santa desprovida do egoísmo, do possessivo, a se doar para as outras irmãzinhas...

Um nó achegou-se em meu pescoço e por momentos estaquei; aprendemos sempre por onde andamos, com quem convivemos...

Um pequenino anjo me mostrou, que amor existe sem condições, sem proporções, sem nada em troca a não ser por mais amor...

Ali eu recebi o meu presente, bebi do cálice da Natividade... A beleza não está no belo; está na alma que se anuncia, seja criança ou velho...

Missão cumprida, hora de debandarmos, a equipe do Aranha, Bicicletada, sem líder e sem dono, ao som do primeiro que zoava, entoava o grito de guerra das alegrias, sem ensaios apenas contagiando, vivas e anúncios de nossas vitórias...

Voltamos todos ao lugar de onde partimos, cada um com seu aprendizado, sua lição tirada de mais um dia de vida, e devagar nos fomos dispersando, enfim voltando para a realidade, sonho gostoso despertado...

Paulo Sérgio, que distribuiu bombons com todos nós, o único caracterizado como Papai Noel, voltando comigo e meu filho pelo mesmo caminho, contou-nos algo engraçado, mais uma outra lição aprendida...

Quando vinha pedalando pelo caminho, passando junto de uma molecada, o primeiro gritou:

- Papai Noel veado!

Ele então se virou e respondeu:

- Rôu-Rôu-Rôu...

Não satisfeitos ainda, um segundo gritou:

- Papai Noel corno!

Ele, não se agüentando, parou e suplicou:

- Meus filhos!, por favor!, se decidam..!

Decisões sempre tomamos. Ano que vem faremos de novo; chamaremos os bravos soldados da Reserva, uniremos com os soldados da ativa, e novamente conquistaremos as Fortalezas, não necessariamente inimigas, mas carentes de uma noite especial, essa mesma que jamais esqueceremos...

* * *

Papai Noel

Quem não acredita em Papai Noel, está certo...,

Quem lembra da gostosa fantasia, está certo também...,

Quem o guarda no coração, tem a certeza...

De repente, vocês também comecem a conversar com ele...



Papai Noel
(Paulo R. Boblitz - dez/2009)


Papai Noel ligou para mim e conversamos um pouco, já que ele estava com pouco dinheiro, num orelhão numa dessas praias fabulosas entre Rio Grande do Norte e Sergipe.

Até pedi o número para ligar de volta, mas ele ficou atrapalhado; então conversamos rápido.

Estava de férias desde o dia 10; vai interrompê-las próximo do natal, e depois volta para novos bronzeamentos e bons banhos.

Falou muito bem dos peixes, das lagostas, dos pratos típicos da região, das frutas polpudas e muito saborosas, da cor do mar...; falou até da cerveja que matava a sede sem igual, e até da caipirinha, claro, uma aqui, outra ali...

Confessou que já está ficando um pouco apertado na roupa, pois está aproveitando tudo o que é comida gostosa e doce caseiro...

Perguntei onde estavam as renas, e ele respondeu que todas estavam adorando, ali juntinho com ele.

Mas..., como!? - perguntei.

- Fantasiei-as todas de cabras, mas você precisa ver como chamam a atenção... - respondeu ele.

- Forma uma porção de gente, só para nos ver tomando banho... - continuou.

- Papai Noel!?, onde já se viu cabra assim tão grande..? E onde já se viu cabra gostar de água!? É isso que está chamando a atenção... - completei.

- Eu pensei que fossem minhas ceroulas de bolinhas...

- Claro que não, Papai Noel... Mais um doido, menos um doido por essas areias, não faz diferença...

Ele disse que ia tentar tomar banho somente à noite, até porque já estava bastante bronzeado...

Cobrei dele o envio do endereço eletrônico que ele prometera mandar, para ficarmos trocando mensagens ao longo do ano, e ele reclamou chateado:

- Algum engraçadinho chegou na minha frente e gravou papainoel@gmail.com, aliás, só consegui uma vaga no papainoel1011@gmail.com...

- E por que não pegou!?

- Porque eu sou o número 1..!

- Mas você precisa ter um e-mail...; são os tempos modernos; as crianças hoje em dia aprendem rápidas a mexer em computadores...

- Vou criar assim que chegar em casa...; vai ser papainoel@natalpolonorte.com, pois que também existe uma cidade chamada Natal aí no teu Nordeste...

Rimos mais um pouco, ele agradeceu o nosso empenho por aqui, mas precisava desligar, pois estava juntando gente de novo, próximo do orelhão.

- Devem estar querendo telefonar também... - falei compreensivo.

- Não, não...; é que esqueci de tirar os sininhos das renas - ficaram por baixo das fantasias... - segredou-me baixinho.

E continuou:

- Estarei passando em cada casa entre 24 e 25; quem ainda for criança, mesmo que apenas um pouco, conseguirá ver o nosso rastro riscando o céu...


Ele terminou a ligação mandando um grande abraço para todos.

Assim, o abraço está mandado...


Quem quiser e puder, aproveite para nestes dias dar uma olhadinha para o céu, para quem
sabe poder ver Papai Noel riscando no firmamento iluminado, afinal, ele sempre foi meio atrapalhado com esse negócio de fusos horários...

Ah!, quase ia esquecendo... Ele mandou dizer que também estará pedalando no dia 22... Assim, se você virar para o lado e ver algum velhinho gordo e simpático, será ele com certeza...


* * *

Pombinho...

Existem momentos em que estamos felizes,

mais felizes ainda..., apaixonados..., otimistas...,

e assim mais criamos, com alegria,

sejam quais produções, sejam quais plantações...

Pombinho já crio há muito tempo,

meu fiel trabalhador número um...



Pombinho...
(Paulo R. Boblitz - dez/2009)


Estava a escrever pequeno pensamento para aproveitá-lo na futura crônica da trilha noturna, e acabei lembrando do meu Pombinho...

Como o lógico será realizarmos essa trilha numa noite de Lua cheia, lua onde sempre comparecem São Jorge, seu cavalo branco e o dragão, eu bem poderia já construir o começo dela..., afinal, esse é o lado onde a imaginação brinca sempre com a poesia...

E brincando, a crônica acabou enveredando para outro lado, pois que a Lua tem sempre um lado apontando para nós amantes, e em Lua cheia, sempre se descortina a famosa luta que salvou a doce princesa.

Dos três, quem tem o papel mais fácil é o dragão, deitado de costas com molho de tomate a escorrer da boca, que finge ser alfinetado pela lança certeira do Santo. Por sua vez, devidamente sentado sobre seu cavalo, aparece São Jorge, que deve ter uma escora do braço por ali dissimulada, empunhando uma lança comprida a penetrar no dragão.

Para mim, a pior posição é a do cavalo branco, que coitado nem nome tem... Passa ele todas as noites, empinado, equilibrando-se apenas nas pernas traseiras. Talvez até sinta cãibras...

E onde entra o meu Pombinho nessa história?

Primeiro, ele é cavalo...

Segundo, ele é branco com pequenas pintas cinzentas, que lhe fornecem um matiz acinzentado, daí o nome Pombinho, embora ele seja bem grande...

Terceiro, porque ele é maluco...

O importante é que eu gosto muito dele, que até já está quase aposentado só pastando...

Certa vez quando observava o meu Pombinho, é que fui entender o porquê daquela expressão "comer como um cavalo..."

Cavalos não se deitam, a não ser quando estão doentes ou se espojando pelo chão, coçando as costas, atrapalhando a vida dos insetos... Dormem em pequenos cochilos, em pé, e não param de comer, mesmo à noite. Há os que dizem que segundo a evolução, um dia, cães e cavalos já foram parentes...

O fato é que meu Pombinho é irreverente, ao mesmo tempo em que também é disciplinado.

Fico impressionado quando uma ordem lhe é dada; anda e pára instantaneamente; depois de parado, não se move um centímetro...

Outro dia deu uma carreira no empregado, que foi parar em cima da mangueira dum salto só, lá de cima xingando:

- Cê tá maconhado!?, seu fííi du cabrunco..!

Vive a me dar despesas, pois vira e mexe, me obriga a comprar cordas novas, pois solto sem as rédeas, ninguém o pega; com a corda comprida, já conseguimos, mas ela passa o dia inteiro arrastando pelo chão.

Acho que ele também é meio malandro, pois através da boa comida, acaba fazendo amizade. Tem uma linguagem através das orelhas, que se mexem para direções diferentes, independentes.

Quem for mexer com cavalo complicado, é bom antes aprender os sinais das orelhas, pois elas antecipam em muito, aquele deslocamento abrupto de 500 kg em média...; um coice, pode até matar...

Orelhas murchas para trás, como que deitadas, é melhor sair de perto...

Pombinho adora minhas alfaces, tendo já um relógio que lhe diz a hora das colheitas, aproximando-se como quem não quer nada...

Às vezes, quando fingimos que não o estamos vendo, ele fica de lá:

- Rum!, rum-rum-rum-rum... - em tom suave e carinhoso...

Come alface até ficar de caganeira, momentos que o deixam com as pernas pretas e necessita tomar banho, ensaboado com detergente gel para limpezas pesadas, a deixá-lo depois com cheiro de banheiro...

Uma vez eu precisei cobrir a estrada com piçarra, e ao final do dia estava ela toda bonita e avermelhada, bem planeada e desenhada no meio do mato. Mais uns dias, com desgosto verifiquei que o Pombinho a estava deixando cheia de montes de cocôs redondos...

- Cavalo filho duma égua..! - ficava eu a repetir para o empregado, na medida em que a estrada ia ficando contaminada.

- Tanto lugar para ele cagar, só caga na estrada... - completava eu, apenas para o empregado ficar sorrindo, coisa que também estava me deixando com a pulga atrás da orelha...

Até que um dia, vendo aquela coisa grande com o rabo levantado, desrrolhando o ralo, fui obrigado a respeitá-lo...

- Nal..!, o Pombinho não é burro...

Diante da expressão irônica do empregado, que devia estar a pensar que disso todo mundo já sabia, pois que um cavalo não pode ser um burro, continuei:

- Ele só faz cocô onde não come...

E desse dia em diante o filho duma égua, o cavalo, cresceu em meu conceito...; bem podia emprestar seu nome para o cavalo branco de São Jorge, santo patrono da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia e Moscou. Até o Rio de Janeiro o tem extra-oficialmente...

Falando em trilha, como ela será noturna, dia 17 de janeiro, olhar para São Jorge guerreando não será um bom negócio, pois se de dia olhando o caminho, caímos nos buracos, imaginem de noite, olhando para a Lua...

Acho que vou levar duas lanternas...

* * *

Dando exemplo...

Exemplo às vezes cansa,

porque nos obriga a fazer,

nos obriga a praticar,

nos obriga, zelando,

a mostrar como se faz...



Dando exemplo...
(Paulo R. Boblitz - dez/2009)


Nem sempre as coisas são bonitas, apenas porque não são feias...

Beleza maior está no esforço, naquele que nos faz tirar, ou melhor, produzir onde nada mais existe, a chama diferente do "eu consigo..."

E são consigos próprios, com seus próprios eus, que acabam travando a maior batalha, pois enquanto as condições dizem Não, os espíritos comprando a briga, dizem Sim...

Dar exemplos não é nada fácil, num mundo afeito às coisas sem muito custo...; pior então é dar exemplos aos mais jovens, quando nós mais velhos já estamos na descendente natural das curvas que a vida nos vive apresentando...

Ricardo Hsu foi lá e arrancou o primeiro lugar da categoria B, que vai dos 40 aos 50 anos, conseguindo ainda chegar na frente do segundo colocado da categoria A, com 10 participantes competindo, mais jovens do que ele.

Competiu com atletas do Brasil inteiro, todos Feras brabas, no Sexto Desafio Pajuçara FM de Arapiraca 2009, em Alagoas, num trecho misto acidentado com 140 km, debaixo de um sol bem quente nordestino e vento certeiro, às vezes contra, completando a prova em 5 horas e meia, remendando a Câmara de Ar por duas vezes...

Sabem o que significam 140 km em 5 horas e meia? Média de 25,5 km por hora, na verdade um pouco mais, pois ele necessitou tirar o atraso dos dois remendos...; significa ainda que subiu pesado, "socando a bota" como ele mesmo disse, as ladeiras difíceis da prova...

Na competição do ano passado, ele conta que mal conseguiu chegar... Em um ano, de Carniça a Campeão, um exemplo de devoção, de muito treino e muita garra, sobretudo força de vontade. Ontem, brincando com ele que eu andaria junto dele, ele sorrindo me disse que diminuiria a marcha...


Um outro amigo, desta feita do trabalho, embarcado na Plataforma de petróleo Piranema em águas profundas, também ciclista, cinqüenta anos, categoria Master de Remo Masculino, na Regata Almirante Tamandaré, durante as comemorações da Semana da Marinha do Brasil, sagrou-se também Campeão.

Adilson Correa chegou na frente de todas as categorias, de todos os outros competidores; o segundo colocado tinha pouco mais de 20 anos...

Reportagem com entrevista, no linque http://emsergipe.globo.com/mediacenter/?id=33720

O trecho remado contra a maré do rio Sergipe, naquele horário enchendo, da Barra dos Coqueiros até o Cais da Marinha, aproximadamente de 3 km, foi realizado em 8 minutos...

É muito chão, digo, muita água por minuto..., 375 metros para ser exato.

À noite ele também pedala conosco e já mandou avisar que estará presente, não sei se de Papai Noel, na pedalada que faremos até os orfanatos no próximo dia 22, com nossos presentes.

Pernas e braços, Ricardo Hsu na Bicicleta, Adilson Correa no Remo, ambos fazendo bonito para a meninada fazer igual...

De dia o trabalho, nas folgas os treinos, empenhos diários, todos os dias...

Exemplos não são simples; normalmente não são facilmente carregados..., nem tampouco pesam muito, diante das determinações e disciplinados compromissos, assumidos sempre em nome de um amor pelo que se faz.

Parabéns ao Ricardo Hsu e ao Adilson Correa, orgulhosos cada um com suas medalhas; parabéns a todos nós em conhecê-los...

Mais Vitórias chegarão em 2010; assim está escrito em cada estrela...

* * *
12.882..?, ou 12.887..? Que confu..., digo, fraternização é essa!?
(Paulo R. Boblitz - dez/2009)


Não sei bem ao certo..., nessas alturas..., depois de algumas cervejas..., mas hoje foi a confraternização d'Os Zuandeiros..., casa do Eduardo, churrasqueiro Bruno, organização nota 10 apenas depois do atraso, aquele que quase nos matou de fome e sede...

Enfim foram chegando aos poucos, Zuandeiros e mais Zuandeiros...

Chegou o Sílvio com sua bici sobre o teto do carro, depois o Lourenço pedalando na própria, e todos os outros em busca de sorrisos e alegrias que normalmente acontecem nessas horas em que todos se juntam para comemorar, mais um ano de pedaladas, de trilhas, de convívios nas curvas redondas que toda roda gira em ciclos...

Piadas, histórias, troças e tantos outros assuntos que não faltam nas línguas travessas de quem se junta para comemorar...

12.882, ou quem sabe 12.887, ou sei lá qual número seja na verdade, pois não importa a inscrição em si, mas a vontade e o ímpeto de participar da mais importante e tradicional prova de corrida maratonista brasileira, a internacional Corrida de São Silvestre em São Paulo, quase na virada do ano para 2010.

Suzana, médica de corpos enfermos, com um dedo torto pelo acidente durante os treinos, cinqüentona menina nos anunciou da sua participação, toda prosa e confiante naquela corrida...

Difícil será vê-la, pequenina, no meio de tanta gente, ainda mais correndo...

Mas torcer já é querer..., e nossa amiga haverá de terminar a prova em qualquer lugar, bonito seria se em primeiro, mas para nós isso pouco importa, pois aqui como lá, também Zuandará...

Carne teve de todo jeito, só não de gato, avestruz e javali; o vinagrete sem vinagre também estava ótimo, junto com o feijão tropeiro e o arroz ligadinho. Faltou somente a farofa, que ninguém lembrou de fazer...

Misturando tudo, a cor do feijão com as verduras, o arroz balanceando os tons, a cerveja regulando o mastigar, a conversa de todos falando ao mesmo tempo, a música se intrometendo, a fumaça de vez em quando também querendo participar, fez com que fôssemos nos entendendo a tarde inteira, numa boa Babel, até que o primeiro foi embora, o segundo também, mais um pouco o terceiro, até que chegou a minha hora, sei lá em qual lugar, deixando já noite, a boa turma que lá ficou.

Ano que vem vou levar o meu tabule, quem sabe o meu quibe de frango, e desde já desafiar a quem saiba preparar uma boa farofa, afinal, nem só de carne vive o homem...

Dois mil e dez está chegando, e logo Janeiro começará a reinar, nos propiciando a primeira trilha noturna a caminho de Brejo Grande, histórias se renovando e somando, para fraternizarmos no próximo ano, um calendário de trilhas percorridas, numa bela tarde domingueira, sem pedais e suores.

A todos que fizeram Os Zuandeiros neste ano, um natal bonito cheio de paz, muitas alegrias além das conquistas, muita saúde para as trilhas vindouras, muita união principalmente, muitas solidariedades.

Como família, é também o que Os Zuandeiros desejam.

* * *

Natal com os pedais...

Meus amigos,


Hoje cedo quando pedalava para o Mosqueiro, junto com uma porção de gente feliz, pelo meio do caminho fui abordado pelo Aranha, amigo ciclista que fez o Caminho de Santiago pedalando:

- Boblitz!, gostaria que você fosse conosco, pedalando, até o orfanato Lar Infantil Cristo Redentor, ali no 18 do Forte, para darmos presentes às crianças; foram abandonadas pelos pais, ou sofreram algum tipo de agressão.

- Como somos muitas bicicletas, estamos arranjando mais instituições para também visitarmos - continuou o Aranha.

Enquanto ele convidava, ia me lembrando do porquê dos natais serem tristes, quando uns ganham o que não precisam, e outros nem amor recebem...

Concordei de imediato, já visualizando o Aranha muito magro, vestido de Papai Noel...

- Sairemos de onde sempre saímos nas terças, no dia 22 de dezembro, às 8 horas da noite. Apoiando a nossa iniciativa estão o Aracaju Pedal Livre, Os Zuandeiros, Pedal Suado, Ciclo Urbano e Bicicletada Aracaju...

Enquanto ele ia falando, na mente já começava a escrever para todos vocês, a grande maioria sem poder assumir o compromisso, pois que aqui em Sergipe não vive, mas, onde residem bem poderão fazer uma criança feliz..., à maneira de cada um, com o tamanho de coração que todos vocês têm...

Aos que aqui residem, pertinho dessas crianças, convido em nome do Aranha para sairmos piscando numa noite especial, como se fôssemos as renas de Papai Noel, para que os tantos olhinhos deslumbrados nos possam ver chegar, e naquela noite, e nas outras próximas a ela, esqueçam das infelicidades que têm, não ter um lar, não ter uma família, não ter sequer um carinho que toda criança que conhecemos tem.

É triste escrever sobre isso...; mais triste será dar adeus a todas elas...

Não temos nenhuma culpa nisso tudo; não podemos resolver o problema delas, que nem sequer é um problema, mas uma vida inteira deles...

Não é muito o que daremos a elas, apenas presentes para crianças que sempre adoram presentes para brincar, baratinhos para que todos possam participar, mas em muito será a alegria naqueles pequeninos, o dia em que Papai Noel apareceu de verdade..., com todos nós ajudando...

Garanto que vocês ficarão mais alegres do que a garotada...

Garanto que irão querer repetir a dose...

Garanto que irão repensar a vida que levam, e a dos filhos que têm...

Seja você de qualquer religião, nesse dia seja apenas humano...

E você que mora aqui nessa beleza de cidade e não pedala, pegue seu carro, esqueça um pouco de si e se doe, vá até os orfanatos em que estaremos, ou a algum asilo, algum hospital, levando principalmente o seu calor...

As crianças são ainda muito jovens para entender, mas elas sentirão muito mais a nossa falta, do que ao brinquedo quando ele não mais existir...

Mude a sua rotina, não custa nada...; vá você mesmo se emocionar.

Lá fora existem crianças tão maravilhosas quanto as nossas, no entanto portadoras de câncer, aids, e paremos por aqui na enumeração de tantas desgraças, que você, graças a Deus não padece...

Não perca essa chance; ela, com certeza fará diferença...

A todos vocês, um grande abraço; felizes são, por terem alguém mandando...


Boblitz


* * *

Meu blogue

Para mim é um prazer; por isso o cultivo...

Para mim é uma facilidade; por isso o divido...

Ele é meu; é de vocês...

http://www.trilhascompoesia.blogspot.com/,

é de quem quiser...


Boblitz



Meu blogue
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)



Se falo de mim, é porque das trilhas eu participo; algumas histórias que são verídicas, delas também participei..., e o resto é ficção, é poesia da cuca em brincadeira...

Se falo de trilhas, é para que vocês se mexam, seja lá do jeito que for, seja lá do jeito que puderem.

Enquanto escrevo, vou lembrando do Djalma, o Vovô por nós assim conhecido carinhosamente, com 64 anos deixando todo mundo para trás, quando assim lhe dá na telha, com suas bicicletas não tão leves e modernas.

Lembro da Suzana na casa dos 50, deixando muita gente na poeira, jovens inclusive.


Lembro do Omar, com 57 anos, outro ciclista fera que não fica para trás, pedalando forte sempre lá na frente.

Lembro do João de
Deus, na portinha dos 50, pedalando adoidado.

Lembro de dois novos amigos que também pedalam, Alinor e Márcia, no Paraná, que participam de um grupo que pedala todos os domingos, os Vaidosos, nascido de uma reunião de cinqüentões que juntaram o verbo com o adjetivo, Vai Idosos, onde hoje pedalam todas as idades...

Quanto a mim, bem..., continuo com meus 57 anos, firme na posição do Carniça, porque paro para bater fotos, porque não tenho o preparo deles...

O resto é quarentão ou na casa dos trinta, alguns mais jovens ainda, e que me desculpem aqueles com mais de 50 a quem não citei...

Para alguém se mexer, basta em primeiro lugar a vontade, em segundo lugar uma visita ao médico de confiança, que solicitará alguns exames necessários, para que surpresas não aconteçam.

Quando nos me
xemos, o corpo responde com mais alegria, pois começa a se livrar das impurezas, desobstruir os entupimentos, trocar gorduras por músculos mais rígidos; até a mente se aproveita do novo nível, longe naturalmente daquilo que nos estressa.

Se o Médico proibir, ainda assim podemos andar, pois temos pernas que foram feitas para isso, se não ligeiro, devagar, e logo estaremos melhorando e subindo escadas com mais fôlego.

Desculpas eu sei existem muitas, todas elas favoráveis e cúmplices da nossa preguiça; eu diria que juntamos o inútil com o desagradável, a apoiar a idéia de estarmos em eterno d
escanso, pois que se mexer cansa e faz suar, produz dores, sede e mais fome, porém tudo isso é passageiro.

Acreditem em mim: logo, logo, entramos na fase do querer mais, não ver a hora de chegar a hora de malhar, de se mexer, seja lá o que for a se fazer esforço, e como num passe de mágica, qualidade acaba gerando mais qualidade.

Meu blogue é isso, meu blogue tenta passar que ainda estamos vivos..., pois basta apenas uma atitude, essa que vocês têm que tomar...

Mexer-se, o segredo de tudo; não é à toa que o Universo inteiro se mexe...

* * *

Voltando a ser criança

Qual o adulto que não tem lembranças..?

Qual o adulto que perdeu as esperanças..?

Qual o adulto que não gostaria de novamente ser criança?

Seja o que for, nunca deixe de sonhar,

nunca abandone um sonho seu...

Conheçam um sonho se realizando...

E comigo sonhemos juntos, um dia conseguirmos...



Voltando a ser criança
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


Estava caminhando para o meu almoço, quando encontrei com duas amigas...

- Vai para onde? - perguntou uma delas.

Respondi que ia almoçar...

- Então vem com a gente, conhecer um restaurante novo que um colega nosso abriu aqui pertinho.

E fomos os três, conhecer o Maná, um lugar gostoso e confortável pela climatização.

Subimos uma escada até o primeiro andar, coisa que ainda estou imaginando se não é para chegarmos lá em cima com mais fome, e me deparei com amplo salão, aquele mundo de comida, só para a gente ficar que nem maluco, se come isso ou aquilo, ou se mistura tudo...

Quando sentamos, perguntei à Clézia se ela já havia comprado a bicicleta... Claro que a resposta foi mais uma das desculpas que ela sempre me arranja, mas, em compensação, me contou que a amiga ali em frente, a Nazaré, estava aprendendo a pedalar...

Olhei para a Naza, como a chamamos, e ela estava só sorrisos, orgulhosa por também poder pedalar. Contou-me que havia ganhado uma bicicleta como presente de aniversário, e que não sabia andar, porém havia descoberto um Instrutor que a estava ensinando.

Por instantes fugi dali, pensando em como um adulto consegue aprender com alguém ensinando, pois na minha cabeça só conseguia visualizar nossas crianças, quando saíamos correndo atrás, segurando-lhes as selas, transferindo-lhes segurança...

- Olha só o vídeo..! - chamando-me novamente à razão, entregou-me o fone celular.

video

Foram tantos risos, que a fome até ameaçou passar... Na minha frente, numa telinha diminuta, uma mulher com mais de trinta, capacete, sorridente e orgulhosa, esportivamente paramentada, numa bicicleta de RODINHAS!!!

De imediato lembrei da Ana Iracema, uma outra amiga que morre de vontade de andar de bicicleta, e que também até hoje não aprendeu...

- Naza, me arranja o nome e o telefone do Instrutor, pois quero fazer propaganda. Quero também esse vídeo, junto com sua autorização para eu poder exibi-lo...

Primeiro teríamos que tirá-lo do celular, depois resumi-lo até torná-lo pequeno, enfim escrever essa história para todos vocês se decidirem, pois que quando queremos, sempre arranjamos soluções...

Dito e feito, adiantou-me o nome do Instrutor e o telefone; escrevi para o Ivan Bittencourt , fone (79) 9979-4568, e batemos um bom papo...

Resumindo, até eu tive vontade de andar naquela bicicleta...

ESCOLINHA DO PEDAL ADULTO, este é o nome singular que nunca tinha ouvido, pois pensava que toda criança aprende a andar de bicicleta, praticamente só.

Engano meu... Muita gente adulta nunca pedalou sozinha, e depois que cresce, acaba colocando a idéia de lado, pois pensa que deixou de ser criança...

Atento, acabei ouvindo a um discurso muito interessante: a própria Nazaré havia começado aquela atividade. O Ivan, amigo da Naza, até que tentou correr uns quinze minutos ao lado dela, tentando dar-lhe a sensação de equilíbrio e segurança, mas rendeu-se ao esforço e ainda ficou com o braço dolorido por alguns dias...

Foi um desafio... Naza pedalaria...

De tanto pensar, viu a resposta ali mesmo na frente dele, numa criança a pedalar numa bicicleta com rodinhas, e tratou logo de construir rodonas reforçadas para gente grande...

Porém, o que me deixou entusiasmado foi a simplicidade com que ele me disse que poderia tornar realidade o sonho que muita gente já julgava esquecido...

Sonhos, minha gente..., sonhos jamais serão esquecidos, mas sim transformados em frustrações. Eu mesmo tive muitos sonhos com a minha primeira bicicleta, e nunca mais a esqueci.

Assim, tornar possível um sonho há bastante tempo adormecido, é conquistar um ponto a caminho do Céu...

Que o Ivan tenha bastante sucesso; que muitos adultos ainda com seus sonhos incompletos, possam torná-los realidade, vindo depois a engrossar nossas fileiras em duas rodas, cortar o vento e sorrir, voltando a ser criança...

Nazaré jamais esquecerá do Ivan, isso eu posso garantir...

* * *

Mergulhando de cabeça

Desci e arregalei os olhos...

Naveguei entre paredes rochosas...

Vi meu firmamento lá embaixo na areia alva...

Subi em paz com minha poesia n'alma...



Mergulhando de cabeça
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


Estávamos nos reunindo no nosso ponto de encontro, vindos de todas as direções...; é interessante observar aqueles pontinhos piscando, convergindo devagar até juntarem-se aos que já estão chegados.

Os primeiros a chegar, sempre encontram vagas para estacionar as bicicletas, mas conforme esse número vai aumentando, acabamos por permanecer em pé, sempre com as bicicletas junto a nós.

É interessante ver aquela gente toda com as mãos nos guidões, pés apoiados no chão, bicicletas equilibradas entre as pernas, como se fôssemos como aquele mítico minotauro, metade humanos, metade bicicletas. Assim, a roda vai aumentando, pois bastam três ciclistas começarem a conversar, e uma boa área quadrada se estabelece com tantas bicis como rabos...

Alguém bateu em meu braço, me virei e recebi uma folha me oferecendo um curso básico de mergulho. Agradeci, dobrei a folha para examinar mais tarde quando estivesse com os óculos, e mais um pouco seguíamos para a pedalada, um outro tipo de mergulho, onde as ondas são gasosas...

Em casa, livrando-me da tralha suada, percebi o papel meio molhado pela transpiração, meio borrado pela tinta diluída; depositei-o sobre minha bancada para que fosse secando, enquanto eu cuidava de tudo mergulhar no sabão em pó.

Enquanto ia para o tanque, ia também pensando que o papel molhado e borrado, tratava de assunto relacionado com água, portanto, estava tudo certo.

Falava de instrução sobre mergulho autônomo, com cilindro de ar comprimido, e mergulho livre, apenas com snorkel, adrenalinas multiplicadas, experiências inesquecíveis, diante das tantas belezas lá por baixo...

A propósito: falava também da PADI (Professional Association of Diving Instructors), a melhor Certificadora internacional para emissão de credenciais de mergulho autônomo.

E minha memória logo se deslocou no tempo, lembrando do sobrinho Cláudio que a pratica por esses mares aí afora...

Lembrei também do Yukio, com quem trabalhei um dia lá em Urucu, no Amazonas, que praticava a pesca submarina. Numa daquelas conversas, ele me disse que necessitava de muito treino, principalmente para a capacidade pulmonar, ou, perdoem a minha leiguice, o tempo que o mergulhador conseguia ficar submerso, sem respiração.

Na época, raciocinando rápido e prático, perguntei por que ele não utilizava os cilindros de ar comprimido!?

Ele respondeu que assim não seria nada esportivo, que o peixe não teria chances, pois que a pesca submarina é objetiva e concisa, onde o predador tem que contar apenas com os próprios recursos, ou seja, no ambiente natural da presa, não é nada fácil capturá-la de igual para igual...

E lembrei das belezas que ele via, pois não apenas pescava, mas também admirava um mundo completamente diferente do que estamos acostumados aqui em cima.

Liguei para os Instrutores e pedi permissão para divulgá-los, e que me mandassem algum material bonito para mostrar, essas fotos que vocês já vieram deglutindo, como um Chão de Estrelas, Visitando um Amigo, Passeio pelas Cavernas, e Bailando sem Peso, títulos que me vieram à cabeça, pois que a poesia também pode ser encontrada no fundo do mar.

Para os interessados, o nome dos Instrutores, e fone para contato:

Instrutor PADI-154266 - Ricardo Stangorlini; Dra. em Cirurgia Pediátrica - Fabíola Pollachi; (79) 9811-2919; fpollachi@gmail.com - Aracaju - Sergipe.

Como o meu coração vai bem, meus colesteróis melhores ainda, minha capacidade pulmonar melhorando a cada dia de pedalada, acho que vou conversar com eles, pois soube que eles também parcelam em três vezes.

Os limites!? Somos nós quem nos impomos...

* * *

Montado no próprio negócio

O trabalho requer suor, e a vida requer trabalho...

Suando vamos trabalhando, imaginando e descobrindo,

desbravando e inovando, agradando a quem servimos,

recebendo pelo trabalho, gerando vida e mais amores...

Bicicleta também é sucesso,

e sucesso é o que desejo para vocês.



Montado no próprio negócio
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


Por certo já observei muitos negócios, mas, tendo a visão um pouco obliquada para as bicicletas, passei a enxergá-las com mais cuidado, e comecei a descobrir um mundo empresarial que gira literalmente sobre duas rodas...

Não estou aqui me referindo aos que se utilizam das bicicletas para o ir e vir, seja lá para o lugar que for, mas sim aos que apresentam e negociam seus produtos, montados na ditas cujas, agora gordinhas pelas cargas transportadas.

Tiramos 100 gramas de nossos equipamentos, e já nos damos por orgulhosos, inclusive comentando com os amigos, dando as dicas e detalhes.

Nossos outros amigos, anônimos sempre de passagem, normalmente sem pressa, se podem, colocam a cada dia mais carga...; é por exemplo aquele tipo de pastel com algum outro recheio diferente dos que eles já vendem, como o de queijo ou carne moída, ou, o novo sabor de suco que é transportado aos litros, e cada litro pesa um quilo...

Estão sempre sorridentes, atendendo clientes que não se dão conta do fardo ali em frente, transportado todos os dias o dia todo, amainando conforme o estoque vai findando.

Já vi bicicletas de "Som", e me pus a imaginar a quantidade necessária de energia para manter um negócio desses em movimento... Na frente, uma caixa de som tamanho bem grande, alto-falantes voltados para a frente e para os lados, um lugar para algum "folder"; atrás, outra caixa de som com as mesmas bocas de ferro, pois o negócio é esse mesmo, divulgar algum anunciante que normalmente está pelas proximidades, observando a qualidade do serviço sendo prestado.

Som não sai de graça, portanto existe uma bateria automotiva por ali em algum lugar, dissimulada e bem pesada; no guidão, os controles de graves e agudos, altura e liga/desliga; já vi um que tinha também a entrada para o microfone, outro item também pesado.

A bicicleta e a roupa também não deixam por menos, pois precisam, através dos enfeites, chamar a atenção para o negócio que, pela penetração, necessita se locomover, e aí entram os pedais, giros e mais giros para todo mundo ser alcançado...

Nunca mais vi aquelas de Padeiros, onde o baú, suportado pelas duas rodas dianteiras, era o próprio guidão, baús imensos com uma tampa abrindo para o lado, tudo em alumínio, um peso adoidado, freio contra-pedais...; quando menino, experimentei uma carregada, do padeiro que pontualmente nos trazia o pão do dia; só consegui seguir em frente, mesmo assim por poucos metros...

Outro dia, observando o meu amigo Agnaldo, 53 anos, um Faz-tudo que passa o dia inteiro rodando pela área, reparando coisas, montando coisas, desmontando outras coisas, enfim, pedalando aquela geringonça com sua mala de ferramentas tamanho família obesa..., 60 cm por 50 cm, transportando furadeira, parafusos, chaves diversas, alicates e outro montão de apetrechos necessários, pedi para dar uma voltinha...

É uma bicicleta cargueira, na traseira uma roda normal com um bagageiro convencional mais largo, na frente uma diminuta, para que o bagageiro, uma estrutura tubular, possa carregar a carga propriamente dita.

Logo no início estranhei, quando senti o peso todo deslocado para a frente... O bagageiro também serve de descanso, uma outra estrutura também pesada, a dar sustentação ao conjunto todo.

Algum de vocês já deu uma volta numa Harley-Davidson, das antigas? Pois a bicicleta do Agnaldo é a própria Harley-Davidson das bicicletas... Fora do descanso, ela quer cair para um lado, ou para o outro, e não adianta tentarmos equilibrá-la entre as pernas...; caímos junto com ela...

Olhei para a cara sorridente do Agnaldo e dei partida..., nos pedais! Saí com uma espécie de Mal de Parkinson, numa tremedeira desenfreada, pois enquanto eu equilibrava para um lado, a bicicleta puxava para o outro, e na compensação, tudo voltava e se invertia, para uma nova compensação, claro que sob as risadas maldosas do Agnaldo, que parecia curtir com a minha cara...

E ele passa o dia inteiro pedalando aquela coisa...

Já vi muitas bicicletas engraçadas e desajeitadas; garanto que todos vocês também já viram, e de agora em diante, poderão prestar melhor atenção, pois só quem pedala, sabe o que uma parada produz nas pernas...; vamos ao zero, para recomeçarmos tudo outra vez...

Imaginem então, o que é provocarmos uma parada num ciclista-empreendedor, ou ciclista bem carregado, quando bastaria que diminuíssemos um pouco a nossa marcha, dando prioridade ao que já está penoso, e depois apertarmos novamente aquele pedal da direita que faz o motor rugir mais alto...

É maldade, das grandes...; é falta de consideração, é falta de bom senso, de educação, de cortesia, de cidadania, é falta de uma porção de coisas, e é excesso de arrogância, pedantismo, não respeitar aquele que bem luta para ganhar a vida...

Quando vejo um trabalhador numa dessas bicicletas, fico pensando no que eles fariam numa moderna bici esportiva MTB...

Creio que subiriam até coqueiros...

* * *

O futuro está sempre começando

Hidroponia até rima com poesia...

Como é trabalho com alegria,

pôr no blogue não destoa...,

afinal não deixa de ser uma aventura,

olhar a água, que tão pura,

corre embelezando a raiz, dando verde à planta, o sabor que entoa,

o gosto firme da Natureza,

e um pouco mais, tudo em vossa mesa...

São meus convidados, todos vocês que gostam de qualidade,

não importando qual seja a de vocês, a idade...




O futuro está sempre começando
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


O homem buliçoso está sempre a descobrir, e a desenvolver, e a melhorar, e a progredir, que fazendo tudo isso, contribui com todos da mesma espécie, e com vários outros de outras espécies.

De coletor para agricultor, não deve ter sido um grande passo, mas daí em diante, tudo deve ter mudado a passos largos...

Chegamos enfim, já há alguns anos, à Hidroponia, onde hidro é água, e ponos trabalho.

Trabalhamos com água, com muita garra, pois incríveis são os climas, as temperaturas, as espécies cultivares, os diversos paladares, as pragas que nos desafiam, os desafios que sempre acabamos transformando em passado, seja pela criatividade, seja pela nova técnica...

Um Encontro se destina, além de uma fraterna irmanação, à divulgação de novas idéias, novas práticas, novos produtos, novos esclarecimentos, novas filosofias, novos comportamentos, novas posturas, principalmente aquelas comunitárias, novos desafios, e quantos "novos" vamos acabando por descobrir em meio de tantas conversas boas.

Assim foi o 4º Encontro Brasileiro de Hidroponia, em Florianópolis, na ilha, na praia dos Ingleses, num hotel confortável cheio de comidas verdes, onde ouvi o título dessa nova crônica, pois o futuro, a cada instante, se renova.

Este assunto não é propriamente poético, nem tampouco se trata de uma trilha, mas trilhá-lo significa um lado poético de se fazer as coisas bem feitas para o semelhante, livre de agrotóxicos, pouquíssimo manuseio, livre das impurezas por ser produzido longe do solo, em água pura sem poluições, pois que na qualidade da água reside o segredo da boa produção.

Profissionais que já fizeram História, como o canadense Howard Resh que difundiu a técnica para o mundo inteiro, hoje em Anguilla no Caribe; os brasileiros Jorge Luiz Barcelos, Pedro Furlani, Valdemar Faquin e José Guimarães, pesquisadores e autores que ainda continuam difundindo a hidroponia pelo Brasil inteiro; e profissionais que pela juventude ainda farão História, como o uruguaio Álvaro Cortazzo, os brasileiros Luis Purquerio, Roberto Konno, Thiago Factor, Luis Paterno, e o produtor hoteleiro em Fernando de Noronha, o Zé Maria, todos nos passando experiências e conhecimentos, que levaríamos meses para perceber.

Um sucesso garantido por 164 participantes, 1 de Anguilla, 1 do Uruguai, 2 de Angola, 1 de Costa Rica, 1 da Argentina, e os restantes 158, do Brasil inteiro, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, e do Nordeste, e do Sudeste, e do Planalto Central...

Pepinos, tomates, pimentões, alfaces, berinjelas, morangos e pimentas, uma verdadeira salada de saúde, a nos alimentar as mentes em verdades; forrageiras a nos propor dividendos com o gado; predadores naturais e armadilhas a nos garantirem a saúde dos consumidores; aeroponia a nos incentivar na pesquisa do futuro; soluções inteligentes para contornarmos os obstáculos; inteligentes soluções nutritivas a nos propiciarem belas colheitas; conselhos e ensinamentos por uma Terra mais humana, mais saudável, maior para mais vida...

Quatro dias falando em vidas, dessas plantinhas sempre molhadas a nos sorrirem, a nos agradecerem os bons cuidados, para justamente você Consumidor, apreciá-las todas com raro encanto, em crocantes seivas mastigadas, de alimentos que lhe chegam ainda vivos...

Por último, uma visita aconchegante, numa estufa cheia de amor, experiências a todo vapor, de um coqueiro já meio grande, passando por uma Jabuticabeira um pouco menor, até os doces morangos, não tão doces pela falta de mais potássio, erro proposital de quem estuda, de quem observa, de quem ensina e mais aprende, de quem se dá em sacerdócio, para os alunos e a comunidade, o incansável Prof. Dr. Jorge Luiz Barcelos, educado educador.

Mal começo a me organizar aqui em casa, já recebo material, informações e solicitações por mais informações, dum sujeito que ainda nem direito dormiu, que leva o Labhidro no peito (http://www.labhidro.cca.ufsc.br/), pois que nele está o coração, este sujeito que bombeia, como a bomba a solução, mais vida para todos...

Parabéns Dr. Jorge Barcelos, pelo desprendimento visível do seu trabalho; por favor, dê um abraço no Mitsuo, pelas mudas de Menta que vocês dois me deram, já plantadas, com carinho regadas; a Deus que me conceda na rebrota de todas elas.

Até o ano que vem, se Deus quiser, e até que o 5º Encontro não chegue, que possamos ter a honra de perguntá-lo e recebê-lo. Parabéns...

* * *

Passeio até o Mosqueiro

Hoje o dia parece ter sido de preguiça...

Quem chegava, ia logo dizendo que queria ir para a balsa...

Era o que eu também queria...


Passeio até o Mosqueiro
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


Mosqueiro é um povoado bem na foz do rio Vaza Barris, onde estão a construir uma ponte bonita que desativará as balsas que nos atravessam, pois do outro lado, continua o lindo litoral sergipano rumo ao estado da Bahia.

Como o percurso foi todo pelo asfalto, não o chamo de trilha, mas de passeio...

Saímos algo em torno de uns dezoito amigos, no começo um pouco lentos para nos aquecermos, aumentando o ritmo pouco adiante.

Seguimos pela avenida de dentro, longe da orla portanto, vento a favor... Variávamos de 25 a 28 km por hora, uma boa média, considerando que naquele ritmo, levaríamos 1 hora para chegarmos nas balsas.

Pensava no vento da volta, vento contra, e se estivesse como esteve no dia anterior, eu estaria frito...

O vento a favor parece elevar a nossa temperatura, pois ele navega junto conosco, não produzindo aquele vento relativo a passar por nossos corpos, levando embora nossos suores.

Assim, quando isso acontece, até o barulho diminui. Foi aí que observei o grupo inteiro coeso, no mesmo ciclo, num bloco só, a parecer um enxame de abelhas zoando pelo asfalto com todas aquelas rodas denteadas, cheias de pequenos cravos...

E me embalei como se fosse um grande zangão, escutando a própria trajetória. Quando vamos bem, até ficamos mais alegres... Emparelhei com o Gilton e puxei conversa, e essa conversa nos fez atrasar pela desconcentração; quando se fica para trás, o prejuízo é muito grande, pois se andar pesado já é difícil, andar mais pesado ainda, torna-se exaustivo. E fomos ficando para trás..., numa demonstração prática, que a energia despendida é diretamente proporcional ao esforço empenhado.

O que eu não sabia, era que havia outro Carniça atrás de nós, não que ele seja principiante, mas porque necessitou parar por alguma razão, razão perversa que não nos permite tirar o prejuízo, senão um tempão depois... Quando já estávamos chegando, encontramos Vovô em sentido contrário, na magricela dele de dez marchas, voltando para ver se algo havia acontecido conosco.

Enfim chegamos e pude tomar um saboroso caldo de cana com gelo e limão, logo encomendando outro e um pastel de camarão. O Carniça chegou e descansamos mais um pouco, conversando e sorrindo a cada gozação. Os primeiros 25 km já haviam sido percorridos...

Levantamos criando coragem, e logo um deu a idéia de voltarmos pela orla; seria vento contra, e do tipo direto sem nenhuma proteção... Limite é coisa que, embora queiramos, não conseguimos ultrapassar... Não deu outra, e logo o grupo se afastava de mim, num vento que chegava a entortar a bicicleta, nos obrigando a compensar.

Comigo ficaram também o Azarias, o Vovô e o Fernando, em explícita consideração. Encontramos o Pedro Viégas a remendar o segundo furo no pneu de trás; paramos e o ajudamos, e recomeçamos tudo outra vez, para mais à frente, o pneu dele furar pela terceira vez; brincando, disse-lhes que havia rezado para isso, pois assim eu descansava um pouco. Próximos da conclusão do reparo, Fernando virou para o Vovô e disse que lá na frente, deveriam estar a colocar a culpa no Boblitz.

Partimos novamente e o vento mais castigou... Lá na frente, perguntei ao Pedro se o pneu dele não gostaria de furar novamente... Sorrimos e continuamos... Mais um pouco, Pedro dobrava para ficar em casa, ali próxima, com seus micos soltos e naturais a visitá-lo diariamente atrás do desjejum, e nós continuávamos, agora mais amenos, pois os restaurantes nos quebravam o vento, tornando a tarefa menor.

Cheguei em casa, verifiquei os quase 55 km pedalados, tomei um banho e corri para a Roça; no caminho me pus a pensar, no que seria pior, se um plano onde não podemos parar de pedalar?, ou um sobe e desce, quando descendo refrescamos nos pedais?

Ainda estou pensando...

* * *

Trilha do Labirinto

Labirinto é coisa complicada ou de desenho confuso, dédalo... Cruzamento confuso de caminhos, labirinto... Onde nos perdemos com facilidade, pois caminhos são diversos naquele canto, mas aqui vocês não se perderão...

(no orkut, todas as fotos)


Trilha do Labirinto
(Paulo R. Boblitz - nov/2009)


Vivo pregando que bicicleta aproxima o homem da Terra; isso significa que assim podemos praticar a nossa própria humildade, pequenez diante das coisas belas que Deus criou; significa que com a bicicleta, fora do asfalto e das ciclovias, em plena Natureza, às vezes ainda selvagem, temos a chance de produzir um elixir para a mente e alma.

Trilha para mim, é aquela em que podemos parar debaixo de uma sombra, dedicarmos um tempinho à boa vista à volta, sentirmos o cheiro de bosta de vaca no ar, verificar o ar gostoso que nos passa, acariciando a pele suada, baixar o tom da pulsação, como se estivéssemos num templo em oração, praticarmos a boa conversa, sentados com a bunda no chão, ou sobre um verde a se estender pelos tantos vales abaixo de nós.

Temos a chance de sermos diferentes, mas indiferentes continuamos em frenesi, subindo e descendo, subindo e descendo, subindo e descendo, subindo e descendo, e subindo e descendo mais uma vez para todos vocês cansarem de ler subindo e descendo; parecemos doidos, preocupados com relógios, com horas e horários...

Trilha boa é aquela em que temos tempo de registrar as passagens belas e magníficas, veredas únicas que nos enchem os olhos, que nos tiram a respiração...

Não sendo assim, não é trilha, é treinamento... Assim, se meu objetivo é trilhar alguma coisa, e descubro estar no meio de gente que só sobe e desce, estou no grupo errado... Qual é o compromisso, que me obriga a ficar preocupado com a hora? Ora, se tenho algum compromisso, aquele não é um bom dia para trilhar...

Treinamos, minha gente, quando nos preparamos para alguma competição, e se alguém faz isso no meio de uma trilha, está sendo injusto com aqueles que o acompanham instintivamente. Se eu saio para passear, quero passear; se eu saio para treinar, então devo treinar com profissionalismo, marcando tempos, distâncias, cronometragens, enfim, eu comigo mesmo e a máquina, e não com ciclistas que nunca serão páreo para quem sempre está treinando.

Agora entremos na crônica propriamente dita:

Ciclistas de pouca fé, onde estão vocês? Por que não fizeram como a Marília, o Moisés, a Eliane, o Givaldo, a Dayse e o Saulo, 6 no meio dos 18 que saímos com o Pedal do Zé?

Essa foi a primeira trilha de todos eles, do começo ao fim..., das seis e meia até às onze e meia da manhã, pelos cerca de 56 km que rodamos. Parabéns para eles, e para vocês que não tiveram coragem, apenas a água na boca, pois que é possível, é acima de tudo, muito gostoso. Olho o meu reloginho computador, e verifico que queimei 2.200 kcal, um número a servir apenas como parâmetro, mas quem se importa com a exatidão?

Importa que eu fui, pedalei e cheguei; importa que me diverti, conheci lugares que não conhecia, avistei paisagens que me engordaram a alma...

Pegamos a rodovia João Bebe Água, e na altura do posto da Polícia Rodoviária Estadual, adentramos pelo estradão, passando por areia frouxa, piçarra solta, seixos rolados, argila seca rachada, erosões e curvas a nos requererem cuidados, além de muitos amigos que paravam de pastar, nos olhando com curiosidade, até que chegamos na outra rodovia que dá acesso a São Cristóvão. Foi só descer um pouco e já estávamos na BR-101, a 500 metros de onde sempre tomamos um café reforçado.

De lá saímos em direção ao Feijão, um povoado, mas passamos da entrada dele, e enveredamos por outro estradão, com mais fazendas e animais, até que o estradão foi minguando, minguando, minguando até tornar-se em caminho de homem a pé, chão coberto de folhas secas, raízes sobressaindo, sombra pela vereda inteira, um calor abafado, pois o vento passava por cima da mata, até desembocarmos na João Bebe Água de novo.

Foi uma trilha sem igual, e só não foi mais bonita porque alguns teimam em treinar, ou se empolgam diante das tantas ramagens que se insinuam roçando na gente, galhos que querem também crescer, fechar a vereda para ninguém mais passar, guardar novamente os segredos dos caminhos belos...

Ciclistas de pouca fé..., nem tudo está perdido...; outras trilhas do Pedal do Zé, virão...

Quero encontrá-los todos lá, num local completamente diferente do asfalto, onde vocês deixam de ser citadinos, para tornarem-se verdadeiros aventureiros, conhecedores dos segredos da terra onde vivem, que só vêem em programas de televisão...

Para encerrar, o Ricardo Hsu, ciclista experiente e sempre severo, mostrou-me o capacete com uma pedra incrustada, como que um diamante diferente a enfeitar o coco duro, ou a lembrá-lo de que as quedas podem ser muito dolorosas, até mesmo graves, diante da falta de um equipamento de proteção individual. São itens imprescindíveis: capacete, luvas, óculos, protetor solar; o resto é complemento...

* * *