Os Pedais do Zé Luiz

Zé Luiz é um sujeito simples, fala mansa e sempre disposto.

- Zé!, regula aqui...

- Zé!, dá uma olhada nesse pneu...

E ele sai verificando, examinando a pressão, regulando um freio, calibrando um velocímetro, recomendando posturas, enfim monitorando, nos passando o que sabe.

Nossa homenagem a ele...



Os Pedais do Zé Luiz
(Paulo Boblitz - ago/2009)


Quando comecei a pedalar, pouco mais de um ano atrás, toda quinta-feira era com a turma do Zé, até que o tempo roubou do tempo, minha vez no pedal.

Éramos mais ou menos, uns cinco iniciantes...

Agora, quando o tempo me deu tempo para voltar, descubro que já são quase cinqüenta...

A turma evoluiu e até aumentou. Ontem vi mais uma iniciante, que logo reconhecemos pela sela baixa, pela falta de algum equipamento, rosto desconhecido e outros aspectos mais. Nesse dia, nosso percurso é mais moleza; as atenções respeitam o iniciante, e a ele ou a ela, são estendidas algumas facilidades, como de vez em quando um gás de reforço, a mão amiga que empurra o que as pernas não querem obedecer.

A iniciante de ontem saiu-se bem, e da próxima vez sair-se-á melhor; é a conseqüente melhora do que se repete, do que se insiste no condicionamento.

A paciência do grupo é outra virtude, pois quem pode imprimir, reprime-se em prol do conjunto; o mais importante não é o pedalar, mas sim o interagir, conversar em duplas pelas avenidas, conquistar outros ciclistas, dar gosto ao carro poder parar e nos observar passando, exercitando sua cortesia, todos agradecendo a gentileza.

Piscando seguimos pela noite, conhecendo novos recantos, até nos perdendo desorientados, pois que toda cidade tem seus segredos, seus periféricos escondedouros por onde nunca passamos.

Pedalar pela cidade é interessante, é instrutivo, é agradável e faz bem à saúde; damos exemplos e vamos conquistando, cada vez mais outros adeptos, outros iniciantes; a qualidade de vida agradece...

Para um começo, é só começar, claro que com uma bicicleta debaixo dos quartos, disposição de melhorar o corpo, conhecer amigos, sorrir e voltar alegre, mais irrigado e oxigenado, dormir um sono justo com muitos bons sonhos, pois que até o nosso Anjo da Guarda fica feliz.

Aquelas pequenas dores logo passam, nosso corpo se acostuma, se reforça para garantir a luta. Passamos a viver bem, de poros limpos sem gorduras, toxinas que foram jogadas fora, melhorando até o nosso cheiro.

O Pedal do Zé se expandiu...; agora também haverá nas terças, ele ontem já avisou, prometendo-nos novidades, surpresas que algum gaiato já adiantou, como pedalar de ré, soltar a bicicleta e correr atrás...

Surpresas à parte, mais uma opção para todos, mais instruções e macetes, ao som da brisa noturna refrescante, dos nossos ventos sempre amenos, nossas estrelas nos guiando, sem correrias, sem radicalismos, apenas pedalando em alegria, como se estivéssemos numa padaria, escolhendo sonhos ou biscoitos...

Tantos pedais..., só poderiam gerar energia...

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