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O quê faz você acordar bem cedo,
num dia que de preguiça é tradição?
O quê faz você trabalhar dobrado,
ou triplicado,
daquilo que você não faz na semana?
Trilha Tobias Barreto - Riachão do Dantas
(Paulo R. Boblitz - mar/2010)
Difícil..., nem muito e nem pouco, simplesmente difícil como são todas as trilhas, pois que se diferenciam dos passeios, por enfrentarmos obstáculos os mais variados. Dessa vez não foi diferente...
Mas antes de chegarmos em Tobias Barreto, passávamos em Riachão do Dantas, município onde terminaríamos a nossa trilha, em Tanque Novo, povoado de sua periferia.
Olhando o horizonte com cabeça erguida, lá estava a estátua do filho mais ilustre de Riachão do Dantas, dando as boas-vindas para os visitantes: o famoso bode Bito.
Bito um dia escapou da panela, por ter a fina qualidade de se socializar com todos; foi assim que conquistou os 20 mil corações da cidade, participando de missas, enterros (o que ele mais preferia), velórios, procissões e até dos desfiles comemorativos de 7 de Setembro, dia de nossa independência - um bicho humano...
Sentava nos bancos das praças e até parecia conversar com as pessoas; têm-se notícias que até lhe pediam opiniões. Não podia ouvir os sinos da igreja de Nossa Senhora do Amparo, que já lhe subia as escadarias, para ver o que estaria a acontecer.
Ninguém soube explicar até hoje, esse prazer que o Bito demonstrava em estar junto das pessoas. Nas comemorações ou cortejos, estava sempre à frente, como Autoridade, solene e compenetrado, nunca de lado ou atrás. Morreu de velho e hoje é História nos lábios de tanta gente que lhe sente as saudades. Criaram até a Festa do Bode em sua homenagem, ainda quando era vivo, quando participou de um documentário premiado em caráter nacional, quando 3 bandas de forró tocaram para ele.
Alguns atribuem como causa de sua morte, a velhice (estava com 18 anos), e outros, que teria morrido de tanto beber cachaça...
Chegamos na praça principal de Tobias Barreto por volta das 8 e meia da manhã de um domingo meio nublado. O dia prometia ser abafado...
Mais ou menos às 9 e dez, saíamos num passeio pela cidade, liderados pelo Marquinhos, nativo de Tobias Barreto, pegando ruas à esquerda, à direita, num ziguezague rápido, como pequenas eram as quelhas percorridas, sob os olhares curiosos de tanta gente simples a ver um domingo diferente. Em pouco tempo, estávamos de volta ao ponto de partida, de onde finalmente rumamos para o nosso intento...
Toda aquela região é de muitas pedras, soltas principalmente, quando elas conseguiram escapulir de suas prisões, um estradão prensado onde a poeira foi se gastando, ficando as carecas redondas de todas elas, a nos trepidarem o corpo...
O vento era de frente, implacável, embalado pela vertente daquela mancha no horizonte, a Serra da Jaca... Mais e mais a mancha crescia, tornando-se mais alta.
Em Jabiberi, finalmente aos pés da serra, um ponto de re
união, hora dos desgarrados se juntarem novamente aos linhas de frente. Precisei aliviar a bexiga, e o amigo não perdoou...
Ali nos despedimos do carro de apoio, pois por onde subiríamos, só sobem mulas e cavalos, jegues e cabritos, e nós com nossas magrinhas, rangendo, estalando, bufando, faiscando pequenas pedras com nossos pneus bem cheios...
Partimos novam
ente a levantar poeira, como se fôssemos um bando de boiadeiros a tocar a manada, o que de certa forma aconteceu mais adiante, quando produzimos o desgarrar de algumas rezes, obrigando o peão a apertar o passo em seu cavalo...
Foi uma subida e tanto, grande parte a pé, empurrando as magrinhas ladeira acima, sem perdão, sem vento contra, sem muita conversa, pois Dona Gravidade aliada com Dona P
edreira, apenas sorriam com nossos suores...
Num trecho em que pude montar novamente, descobri o Gilton agachado escondido numa sombra, a flagrar a tantos, línguas de fora, frontes pingando - estava ele a me sorrir com aquele sorriso matreiro..., o mesmo quando me fotografou em alívio...
No povoado de Forras, nos e
ncontramos novamente com o carro de apoio, onde comemos bananas, maçãs, laranjas e nos reabastecemos com água.
Perto daquilo que achávamos o pico, numa grande pedra redonda posamos, onde a bandeira d'Os Zuandeiros hasteada, foi devidamente fotografada. Uma breve descida e mais uma longa subida, até atingirmos os 469 metros de altitude, em Colônia Boqueirão - Agora seria só moleza..., mas nem tanto, pois que ainda existiam muitas subidas.
Enquanto distribuíam as cestas de alimentos em Colônia Boqueirão, segui me adiantando ladeira abaixo. O céu agora estava ranzinza; havia aumentado o vento contra e ribombava se
us canhões, anunciando que faria muita água despejar...
Em Bonfim, nova parada já debaixo de chuva leve, onde se decidiu que não iríamos até a cachoeira, pela hora avançada, e pelo jeito feio que nos disseram estar, fim do Verão com pouca água.
Faltavam ainda 10 km, 6 ainda subindo, e os outros 4 em debandada, 130 metros rolando abaixo, bunda atrás da sela, Anjo da Guarda preocupado...
Em Tanque Novo a meninada nos fez a festa, tão felizes como todos nós, onde até o céu também comemorou, abrindo as comportas sem moderação... Nosso banho foi de bica, geladíssimo a escorrer de um telhado, onde toda a lama ali mesmo foi deixada...; eram quase 3 da tarde...
Embarcamos as bicicletas, nos aquietamos no ônibus do Caldas e partimos para Lagarto, terra dos papa-jacas, onde almoçamos por volta das 4 da tarde, a comida mais deliciosa do mundo, que mesmo que viesse com pedras moídas, a fome perdoaria e daria os parabéns...
Havíamos vencido quase 650 metros de subidas no acumulado; estava de bom tamanho para um dia só...
Como bem escreveu o amigo Omar, nessa trilha tivemos de tudo: sol, chuva, poeira, lama, subidas íngremes, descidas acentuadas, estradão de piçarra, de paralelepípedo, de areia fofa, pau, pedra, costela de vaca, caminho estreito, dente quebrado, Barriga cansado, pneu furado, carniça fedendo, lamentações, banho no rio Buri etc.; só não teve desistência...
Foram 49 ciclistas das cidades de Aracaju, Lagarto e Tobias Barreto, nenhum a recorrer ao carro de apoio.
Agora era chegar em casa, procurar o ninho e descansar, não sem antes guardar a magrinha, avisá-la do dia seguinte, encontro marcado com o Salão de Beleza, onde ela tomaria um bom banho, receberia óleos tonificantes, regulagens para uma longa vida...
* * *
Quantas vezes já dissemos que não gostamos,sem nunca termos experimentado..?Quantas vezes já deixamos de fazer,apenas porque não tentamos..?Quantas vezes, nossos medos,já nos disseram o quê fazer..?Se tenho a vontade, é porque quero...Medos da bicicleta(Paulo R. Boblitz - mar/2010)Quantas pessoas já me disseram que morrem de vontade de comprar uma bicicleta? Quantas já não me afirmaram que estariam comprando?Muitas, posso lhes afirmar...No entanto, o tempo passa e não vejo nenhuma delas pedalando. Talvez o culpado seja eu, por sempre recomendar a compra de um bom equipamento...Assim, vamos simplificar um pouco:Se você pretende apenas se mexer, qualquer bicicleta que tenha uma sela, um guidão, duas rodas e pedivelas que fazem girar uma corrente, sem esquecer dos freios, servirá para os passeios noturnos ou aos domingos pelos parques.Assim, qualquer investimento na ordem dos R$ 400,00, já é um bom começo.Se você sonha em ganhar a estrada, liberto como um passarinho, aí a coisa já complica, pois você há de convir que enfrentará poeira, areia, água, lama, sem contar com os buracos ou lombadas.Assim, qualquer investimento a partir dos R$ 1.200,00, também será, não digo tão bom, mas um começo...Nosso medo principal se relaciona com o bolso, pois intimamente possuímos aquela confiança que nos diz que conseguiríamos, se treinamento tivéssemos. Isso é verdade...Seja lá quanto for o tamanho do dinheiro que você usar, você estará usando consigo, principalmente na boa saúde sem remédios. Para os que gostam da expressão "custo x benefício", a "taxa de retorno" é quase imediata.Há sempre uma pontinha do temor de não se gostar do pedalar, e aí o ter de se encostar aquilo que se pagou com o próprio sangue.Com toda a certeza, posso lhes garantir que esse medo é infundado. Tudo irá depender da primeira experiência, portanto, muito bom senso para você.Primeira vez? Lembre-se que você não é mais aquela criança, nem sua bicicleta é tão pesada e simples como eram todas as do passado. Mesmo assim, você deve "recomeçar" com um pedal bem leve, não muito longo, de preferência com amigos pacientes ao redor, a lhe darem confiança e palavras de incentivo, pois o cansaço e a dor no bumbum, são líquidos e certos...Deixe para ir incrementando seus passeios, conforme for ganhando condicionamento, e ele vem rápido, acredite, pois nosso corpo responde numa velocidade impressionante, "diretamente proporcional" à nossa alegria... - estaremos sempre prontos para o próximo.Se você esquece, por ser muito otimista, desses anos todos sem pedalar, e já começa "para valer", pois que você já pedalou quando era jovem, prepare-se para a decepção, pois uma coisa é a memória, outra coisa é o sentimento, e é exatamente este último quem prevalecerá quando você estiver "moído", ou "moída", no meio de um passeio mais pesado, fazendo com que você encoste a magrinha.Esta é a principal razão da grande maioria de bicicletas "encostadas" por aí, quando um mau começo deve ter acontecido.Acredite em mim: pegue sua boa amiga, dê-lhe um bom trato, lubrifique-a, regule os freios, e novamente experimente essa sensação que é deliciosa, andar por aí sem pára-brisa, mas, pedal leve e com alguém acompanhando...Os outros medos são secundários... Andando em grupos, você não sofre nenhuma abordagem, nem irá precisar de cadeados, uma grande bobagem que todo mundo compra e que não protege nada, pois são resistentes apenas às nossas mãos nuas, mas aos alicates profissionais, é como cortar a manteiga...Se o grupo mora longe, o mais correto é pendurar a bicicleta no carro e se dirigir para o ponto de encontro, sempre um local freqüentado, pois o predador, como qualquer um na Natureza, sempre escolhe a vítima desgarrada. Um Grupo também é responsável pelas conversas, pelas sempre boas risadas, pelo positivismo, pelo socorro, enfim, por tudo aquilo que sozinhos, não conseguimos...Reflitam e descubram, que esse medo principal, o do bolso, não é assim tão feio, pois que ainda existem os parcelamentos. Não se esqueçam do capacete, das luvas, de uma roupa apropriada, e se protejam do Sol...Prometo que sempre estaremos ali na 13 de Julho, à noite, a partir das 7 e meia, aguardando cada um de vocês.É chegar, dizer que quer pedalar, montar e partir, não sem antes verificar onde está se metendo, pois você, de repente, pode se ver subindo ladeiras, ou no meio de gente às carreiras, e depois irá querer me encontrar para me encher de pancada, me dizer poucas e boas...É como tudo na vida - uma escada...* * *
Os desafios existem,e sempre são superados...O desejo é otimista,e sempre consegue o intento...Hoje, Aracaju ficou mais bonita...Cajueiro dos Papagaios (última parte)(Paulo R. Boblitz - mar/2010)Foi um sucesso muito bonito e gostoso; conseguiram mais do que dobrar aquela quantidade de 2.000 ciclistas, pretendida. Foi assim:
- Inscritos através da internet = 2.843 ciclistas- Inscritos na hora antes da largada = 1.600 ciclistas- Não inscritos por falta de material, infelizmente = uma porção de ciclistas...Esse número ainda não é oficial, mas já nos garante o recorde brasileiro..., sem nenhuma política envolvida...Eu mesmo tentei a Petrobrás e a Vale, para que ambas "apenas avisassem" aos empregados, sobre o evento tão bonito e cidadão. Da Vale eu recebi uma resposta idiota, como se eu estivesse a pedir dinheiro; da Petrobrás nem resposta veio, mas em Mangue Seco, quando de minha trilha até aquele minúsculo povoado, fiquei enojado com o tamanho da estrutura (gigante) que a Petrobrás patrocinou, apenas para 100 ou 150 pessoas, onde um prefeitinho imbecil era o tempo todo anunciado. Para isso eles têm vontade..., mas para uma idéia cidadã, se fazem de moucos... Vidinhas mesquinhas...
Primeiro de Maio, esperamos repetir a dose, quem sabe um novo recorde alcançado, os erros cometidos reparados, recursos novos utilizados, tudo se somando para todos nós ganharmos, pois que festa para quem pedala, é pedalar em festa...Bicicletas de quinze mil r
eais, misturadas com as que valiam menos de trinta reais, os vovôs e as vovós, os netinhos pedalando, os casais se divertindo, tudo misturado num pensamento só: o de dar um bom presente para a nossa cidade.Soube de uma moça toda orgulhosa, que havia aprendido a andar de bicicleta, só para poder participar; eu fiquei muito contente, ter sido o escolhido para tã
o auspiciosa notícia, ficar sabendo.Oficialmente, apenas 2 incidentes: uma torção de pé; um corte leve, porém eu vi uma cena inusitada e divertida: um rapaz, bastante empolgado, vendo os amigos em exibições acrobáticas, partindo para a própria apresentação, olhou de lado e não viu, aquele tamanho poste... Foi um barulho forte..., mas, mais forte que o baque, foi o apupo de quem tudo viu...
Através de pontos com rádios que se intercomunicavam, um à frente, outro no final, chegamos aos 2,85 km de gente pedalando; ninguém acreditou que fosse ser assim tão grande, portanto, nenhum helicóptero foi acionado, onde tomadas aéreas falariam por si só.A Segurança do evento foi exemplar, onde todos os órgãos de segurança foram envolvidos; os veículos também ajudaram muito na festa, pois se comportaram com paciência, até que o último ciclista passasse.
Nunca vi tantas máquinas fotográficas em minha vida, mas não as dos participantes, e sim de tantos que chegaram às janelas e varandas, que a seu modo torceram por todos nós, que no próximo pedal talvez se juntem para alcançarmos os 8.000...Foi um dia de festa, bem acolhido pela população que acorreu aos lembretes da mídia, onde a segurança, principalmente, foi enfatizada - mais de 1.000 capacetes foram distribuídos sem sorteios; camisetas brancas com a lembrança do evento, e garrafinhas para água, par
a todos os participantes.Aracaju não conquistou apenas o título de Cidade da Qualidade de Vida, mas também agora é a mais nova recordista brasileira em Passeio Urbano de Bicicletas.Aracaju deu exemplo de cidadania; mostrou ser simpática e positiva consigo própria. Que ela jamais perca esse brilho, esse orgulho, esse amor dos filhos que a fazem gentil...* * *
Não há bem, que não traga outro bem...Não há sacrifício, que não renda bom bocado...O Tempo que passa, um dia será lembrado,bem no cantinho do coração...Greenville(Paulo R. Boblitz - mar/2010)Para a amiga distante.
O oceano há muito que a tudo dominava; em qual direção olhássemos, apenas água..., apenas ele a nos mostrar o quanto somos pequenos...Eu largava o aconchego e partia em missão, mais uma dentre tantas que já havia participado, mas esta era diferente; eu estaria em lição, a aprender coisas novas, a assimilar novos segredos...Olhei o meu diário e lá estava a página onde eu havia anotado o compromisso; passei um risco sobre a palavra "viagem", como passamos sobre tudo aquilo que já resolvemos; seriam alguns meses fora de casa, o tempo que fosse necessário...Compromissos haviam sido adiados, promessas quebradas, vontades domadas, pois o dever, sempre ele, devemos em primeiro lugar...Terra distante, terra dos outros, terra estranha...; teríamos que conquistar a todos, pois ali seríamos convidados...Olhei para a carlinga e vi os dois, piloto e co-piloto ocupados...; detinham um grande mapa entre os dois...Olhei em redor e vi o Técnico em instrumentos...; lia um grosso manual...Apenas eu a bem pensar, a matutar os próprios botões...; meu casamento ficara para depois...Levantei e fui fazer um café, e quando o cheiro forte se apossou de todo o avião, um a um virou-se em minha direção, como se convidando a receber um pouco, pausa para um pequeno conforto...Sorri para eles e despejei numa xícara para cada um, o fumegante expresso saboroso, vindo diretamente do Brasil, terra que um dia conquistamos, reinamos e povoamos...Por instantes olhei para o oceano lá embaixo, aquele mesmo em que Pedro Álvares Cabral singrou, em latitudes abaixo do Equador, descobrindo para o nosso orgulho, um verdadeiro paraíso, onde mora um bom amigo, não tanto assim, pois só nos escrevemos poucas palavras de vez em quando...; ele deve estar pedalando neste momento..., ou então, escrevendo alguma coisa...Preciso comprar uma bicicleta...Entreguei as xícaras de café quentinho a cada um, recebendo belos sorrisos, grandes elogios, de minha nova família pelos próximos meses...Agora, a única sem nada a fazer é quem mais teria que aprender, combinar os tantos novos sinais, cruzar as tantas novas informações, nas tantas telas dos computadores instalados, tecnologia de última geração, a ser utilizada na guerra e na paz, na morte e no salvamento...Em mim seriam dirigidas as atenções, minhas coordenadas anotadas, minhas observações sobre massa, volume ou profundidade, levadas em consideração, para a grande matilha despejar seus horrores, ou em casos mais amenos, a equipe de socorro chegar em tempo...Pilotos apenas conduzem, Técnicos apenas reparam, mas a mim cabem as interpretações, se sim ou se não...Bebi meu café e fechei os olhos; o ronco dos motores era suave, a trepidação estava longe, os solavancos estavam aquietados, e lembrei das despedidas..., da mãe, do pai, do irmão, do noivo que estava chateado, pois mais uma vez o casamento adiado...; a saudade apertou, como apertaram minhas pálpebras do choro...Do amigo eu lembrava o consolo: não é o fermento pela boa espera, que belo faz o pão? Não é o sal que bem denota o doce?E agradeci à boa lembrança do amigo: tudo passa...Peguei no sono e quando acordei, alguém me sacudia pelo ombro; estávamos próximos de Greenville...* * *
Na internet, tudo gira,e girando, se repete...Recebi uma piada,já recebida em 2003.Assim, o que na época escrevinhei,agora repito para vocês...O pênis...(Paulo R. Boblitz - maio/2003)Certo dia, recebi uma piada que retratava um homem conversando com o próprio pênis, onde ele afirmava que haviam nascido juntos, crescido juntos, brincado juntos e casado juntos..., terminando por chamar o pênis de sacana, por ele querer morrer primeiro...Não sou psicólogo, mas psicologicamente falando, fiquei imaginando a cena:O sujeito desenha dois olhinhos, um nariz e uma boquinha - sorridente?, fechada?, carrancuda? - bem..., isso é com vocês...Aí conta a tal piada lá de cima para o pênis, que ficaria olhando para o sujeito, que nem cachorro quando nos escuta falar um monte de coisas estranhas, que ele pobre coitado não entende.No caso do cachorro, ele pende a cabeça para um lado e fica prestando atenção, pisca duas vezes, endireita a cabeça, abre a boca e deixa cair a língua..., passa a língua de um lado a outro e fecha a boca..., pende novamente a cabeça para o outro lado, presta atenção, pisca outras duas vezes, endireita a cabeça, abre a boca e deixa a língua cair de novo.O pobrezinho, sem nada entender, mas achando que estamos falando coisas agradáveis, dá dois latidos e parte para cima da gente, dando um pulo como quem quer nos acarinhar...Aí a grande diferença: enquanto o cachorro consegue pular, o pênis permanece na mesma... Enquanto tentamos falar para o idiota do cachorro nos entender, ficamos como idiotas a falar para o pênis, que nem nos escutar escuta...De qualquer forma, sem entender muito de pênis, tenho certeza de que a piada não reflete a realidade com precisão, uma vez que, de fato, nascemos juntos, mas amadurecemos de forma diferente. Esse negócio que hora mija, hora especula, hora ejacula e noutras horas pinga, tem vida própria e insana, e meio débil mental, demora para começar a funcionar, digamos..., lá pelos 13 anos... (no meu tempo era assim, mas acho que hoje em dia já começa lá pelos 8).Aí, depois que sabe como funciona, mergulha de cabeça nas ginásticas da vida e não pára mais de trabalhar até os 22 - 30 anos, período em que esbanja energia e irresponsavelmente as queima por qualquer besteira - é um perdulário...Indivíduo incerto e imprevisível, agora continua levando uma vida mais regrada, mas ainda impetuoso e gostando de agir como a cigarra daquela fábula.De qualquer forma, cigarra ou formiga, o pênis não tem jeito - é um indivíduo duvidoso e traiçoeiro, pois assim como nos leva às alturas, pode também nos trair naqueles grandes momentos de expectativa e de longos trabalhos preambulares, nos vexando diante daquilo que chamamos de conquistas...Cigarra ou formiga, ele tem seu tempo certo. Assim, sem essa de poupar para poder usar depois - é como o vento cheiroso que passa por nós, trazendo odores diversos que nos fazem pensar em relva, orvalho, em flores, em doces da vida que nos amaciam a alma, que como vem, passa adiante deixando-nos a lição do aprendido na memória do filme da vida, que costumamos não contar para ninguém...A piada peca ainda, por tratar indevidamente a questão, pois que o pênis ainda continuará servindo para fazer xixi e de vez em quando, no acordar, revigorar as lembranças com o famoso tesão do mijo.Discordo, portanto, com a abordagem que a piada fez ao tema.Creio que o homem da piada é um completo egoísta, insensível, esquecendo-se facilmente das bravuras e bravatas do velho guerreiro, das tantas conquistas, embora com algumas covardias pelo caminho. Temos que aprender a respeitar os mais velhos e tentar entender que a idade mental tem ciclos diferentes: a nossa é solar, e a deles é solar e lunar, portanto muito mais intensa, inclusive trabalhando sob as mais variadas pressões e horários, sob as mais diferentes condições e posições.Se pudéssemos, deveríamos imitar os nossos pênis, aí se incluindo as mulheres, pois quando eles começam a trabalhar, não tem embromação nem lero-lero, nem fofoca e nem sorrisos - é vai pra lá e vem pra cá, de vez em quando sai mas torna a entrar, valente esporra e bota tudo para fora, não leva desaforo para casa... Depois dorme como criança e angelicalmente aguarda pela próxima contenda.Inválido, pois que já nasceu assim, necessita sempre de ajuda para qualquer coisa, ou da mão direita ou da esquerda, ou de mãos alheias a lhe bolinar, o pênis merece o nosso respeito, pois nunca o vimos reclamar, mesmo quando lhe ficam a gracejar ou debochar, como no programa do Jô, já faz muito tempo, ainda no sbt, quando demonstrando uma prótese, o colocou para cima, para baixo, para ambos os lados, culminando por parecê-lo em caracol.Nunca foi soldado, mas bateu muita continência esse tarado, no nosso tempo muito usado, por qualquer brecha ou lance livre, hoje em desuso por causa das drogas, voltando a ser usado por conta de outras drogas, o danado retorna em evidência, deixando as "véias" esperançosas.Como era boa a "calota do fusca", sempre limpinha e sem riscos, bem polida era um espelho, que distorcia um pouco eu reconheço..., mas para que serve a imaginação?E as poças d'água? Hoje não existem mais, pois tudo é asfalto, e se existissem, não precisamos mais: é só irmos à banca de jornais, ou simplesmente assistirmos televisão.Sacana? Coisa nenhuma...Que tal arrumarmos um panteão para quem tanta confusão já arrumou, para quem tantos suspiros já arrancou, para quem tantos bebês já configurou?Quando chegar a hora do meu velho amigo, companheiro sempre bem guardado, as botas querer pendurar, vou olhá-lo com carinho e gratidão, vou encerá-lo, deixá-lo brilhante reluzente, e numa homenagem galante, agradecê-lo e diplomá-lo, libertando-o da ereta responsabilidade, da dura pena de se fazer gozar...Vamos os dois, descansar...* * *
Por causa daquilo que não existe,somos inventores...Por causa da chamada alegria,somos cantores...Bike Polo(Paulo R. Boblitz - mar/2010)Estava escrevendo alguma coisa, quando o telefone tocou; era o Luciano Aranha...- Boblitz! Estamos lhe convidando para uma partida de Bike Polo...- Bike o quê!?- B-i-k-e P-o-l-o... - repetiu bem devagar.- Mas Polo não se joga com cavalos..?E continuamos conversando, e a cada explicação que ele dava, mais eu ia rindo da arrumação, mas no final acabei agradecendo a boa lembrança, prometendo no máximo, chegar até lá na quadra para dar uma olhada.
Neste sábado agora, 14/mar, às 5 e meia da tarde, eles estarão treinando ali na quadra poliesportiva da 13 de Julho. Quem se habilitar, precisa levar apenas a bicicleta e o capacete, e para formar um time, basta arranjar mais dois colegas, pois um time é composto de 3 participantes.Desligamos e fiquei imaginando 6 ciclistas numa pequena quadra, sem poder colocar os pés no chão, pois se constitui numa falta, armados de tacos atrás de uma pequena bola...Numa partida assim, não pode haver discussão..., até porque muitas trombadas deverão acontecer, pois a meta visualizada, a busca ficando frenética, torna o objetivo prioritário - o gol...
Surgido no ano de 2000 em Seattle, Estados Unidos, acabou se difundindo como toda coisa boa ganha corpo, e hoje já é disputado até na Europa. Aracaju, depois de Curitiba e de São Paulo, já é a terceira cidade onde esse esporte chega, trazido pela iniciativa do Prof. Luciano Aranha, que já confeccionou os tacos e conseguiu formar um grupo de 20 adeptos.Bike Polo assemelha-se muito com o Hóquei, mas traz o nome Polo por conta dos cavaleiros estarem montados em suas bicicletas, pedalando em quadras urbanas, realizando com a mais absoluta certeza, manobras radicais de ataques e defesas...
Vamos, eu e minha câmera fotográfica, dar um pulo até lá...Mal começaram, já organizaram o 1o. Torneio de Bike Polo de Aracaju, a ser realizado no próximo dia 20 de março, às 17 horas, ali na quadra poliesportiva da 13 de Julho, com o apoio da Prefeitura de Aracaju, do grupo Bike Cultura, e da ong Ciclo Urbano. Informações podem ser obtidas no blogue http://bikepoloaracaju.blogspot.com/.Fiquei sabendo que a equipe vencedora receberá 3 bicicletas; os outros prêmios seguirão a relação com o mundo das bicicletas.Mais um pouco, estaremos competindo com o pessoal do sul, mostrando a todos eles, a nossa garra nordestina...* * *
Lembrando de uma amiga,que do tempo tratou,tempo teve, sempre tem,sempre ajudando alguém,a quem tempo não tem...Cajueiro dos Papagaios (parte 2)(Paulo R. Boblitz - mar/2010)Cento e cinqüenta e cinco anos para uma cidade, não é nada, e Aracaju, como qualquer criança, cresce a passos largos...O crescimento se dá por conta dos aracajuanos, e por tantos que descobriram Aracaju e a adotaram como a terra deles, como se aqui tivessem nascido.Isso acontece, pela simpatia..., pelo calor do povo que, festivo e sempre participativo, encara qualquer obrigação com muita seriedade. Enquanto ia escrevendo estas últimas palavras, ia também me lembrando de muitos fatos que me aconteceram, e que vez ou outra, continuam acontecendo.Não sou daqui, oficialmente, mas de coração, há muito que fui conquistado...Agimos com os outros, conforme nos comportamos; o que quero dizer é que, se confio nas pessoas, é porque primeiro, sou direito...Certa vez, na praia com a família, comemos, bebemos, nos divertimos e chegou a hora de pagar a conta. Procurei o dinheiro no bolso e não encontrei; pedi à esposa, pensando que estivesse na bolsa dela; ela pensava que estava comigo... Resultado: havíamos esquecido o dinheiro em casa. Olhei para o atendente, que já me olhava diferente, e lhe perguntei quem era o dono...Meio sem graça, expliquei a trapalhada e solicitei um tempo enquanto ia correndo em casa, buscar o que esquecera.- De jeito nenhum!!! - me respondeu o dono do bar, ali próximo onde hoje é a Mãe Gorda; e continuou, num sorriso bem franco:- O senhor vai para casa, leva a família, não precisa deixar nenhum documento, e quando vier à praia novamente, o senhor passa aqui e paga...Era um sábado... No domingo não pretendíamos vir novamente à praia, mas viemos e pagamos, e ficamos amigos por um bom tempo...Um outro caso aconteceu quando eu, resolvendo um problema lá no Departamento de Trânsito da cidade, encontrei um sujeito com um caso parecido. Estávamos sentados à frente do encarregado, que pedindo licença, dirigiu-se para os arquivos, a fim de trazer os prontuários. Enquanto ficamos sós, aproveitei e perguntei ao sujeito ali ao lado, onde eu poderia comprar um peixe fresco. Ele respondeu:- Comigo mesmo!, pois tenho um barco ali no Mosqueiro... - e foi desenhando num papel, o mapa de como eu poderia chegar até a casa dele.Num belo final de semana, numa ida à praia, combinei com a esposa para passarmos lá no Mosqueiro, já que não ficava muito longe, e comprarmos o peixe que tanto gostamos. Dito e feito, chegada a hora de irmos embora, nos dirigimos à casa pelo mapa desenhada, e nos atendeu a esposa do pescador. Ele não estava, mas ela poderia nos atender, já nos mostrando uma boa quantidade de freezers, com as variadas espécies.A cada peixe bonito que nos interessávamos, ela respondia que não sabia o preço do quilo; que esse assunto era com o marido dela. Então fomos tentando nas outras espécies, pois algum preço ela haveria de conhecer, mas acabou não sabendo de nenhum. Virei para ela e disse:- Senhora!, depois então a gente passa aqui de novo, e aí compramos o peixe... Já estávamos nos dirigindo para o carro, quando ela nos interrompendo, falou:- Vamos fazer assim: vocês escolhem o que quiserem, a gente pesa e anota; depois vocês ligam e a gente vê como fazer para o pagamento...E assim fizemos, e já estávamos saindo, todos no carro, motor ligado, primeira marcha engatada iniciando o movimento, nos despedindo, quando a esposa do pescador nos apontou um outro carro, informando que ele estava chegando. Saltamos novamente, pagamos a conta e fomos embora, e por muito tempo compramos peixes com eles...Ainda hoje quando necessito de qualquer informação de alguém passando, escuto 4 ou 5 vezes a mesma explicação de como chegar ou encontrar aquilo que estou precisando, face à intensa preocupação do sergipano, para que eu seja feliz em meu intento. Não raro, pessoas que se dirigem num sentido contrário ao meu, invertem o sentido apenas para bem me ensinar o caminho, me acompanhando. Isso não é para qualquer um; isso só consegue fazer, quem tem o coração aberto, quem está sempre feliz, principalmente com a própria terra onde vive, alegrando-se em mais gente receber, não importa de onde tenha vindo.Assim é Aracaju, assim é o Sergipe inteiro, passemos por onde estivermos passando, encontraremos sempre o sorriso hospitaleiro, o orgulho em mostrar que tudo isso em que pisamos, é terra abençoada por Deus, e por isso é bela e gentil.Assim precisamos continuar sendo, mantendo essa tradição que poucos povos têm.Venha pedalar, participar e abrilhantar, juntar-se somando a tantos outros orgulhosos aracajuanos, dizer que ama esta cidade...As inscrições estão abertas até esta sexta-feira, dia 12, no Portal da Mobilidade (www.smttaju.com.br), ou no sítio da TV Sergipe (http://emsergipe.globo.com.br). Passado este prazo, haverá nova oportunidade na concentração no alto da Colina do Santo Antonio, a partir da 7 horas.
Inscreva-se e participe dos diversos sorteios de bicicletas, capacetes e lanternas pisca-pisca; convide um amigo, peça para este amigo mais amigos convidar, transformando essa energia em significativa participação, demonstração de amor pela terra que devolve tanto amor também.Para que este orgulho fortaleça e mais aumente, estará o Professor Mestre Samuel Albuquerque, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, contando a História de nossa gente, sempre quando passarmos num ponto histórico e tradicional, e serão muitos, de acordo com a riqueza cultural que aqui sempre se fez presente.Ao final desse evento, mais um parágrafo na extensa História de Aracaju, a festa então para valer, começará, sob a batuta de vários artistas e bandas convidados, e aí já será futuro, a você conhecer passado com a própria participação, e poder gritar ao som de baixos e agudos:EU SOU ARACAJUANOOOOOO..!* * *