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O homem é um animal interessante e interessado...
O nosso dia é quem nos fornece os interesses, e por eles enveredamos...
Despertamos segundo várias instigantes, e desenvolvemos o que nos agrada, produzindo...
Assim foi com Fogo amigo, uma intervenção necessária...
Fogo amigo...(Paulo Boblitz - abr/2009)O fogo deve ter sido descoberto num determinado dia sombrio e bastante molhado, pois que um raio deve ter caído perto de alguma caverna, incendiando alguma generosa árvore. Daquele dia em diante, o fogo foi guardado como bem precioso, mantido aceso por todos os meios pela própria comunidade, através de largos estoques de objetos inflamáveis, na época, apenas folhas secas e madeiras...Mas chegou um dia em que o homem descobriu como produzir o fogo, perdendo aquela chama, o valor a ela estipulado, e muitos postos e cargos, detentores do fogo eterno, perderam seu valor. Vai ver que foi a primeira crise trabalhista... O fogo foi e ainda é muito importante nas nossas vidas.É ele principalmente quem nos aquece, que nos cozinha os alimentos, que nos transporta em movimento através das reações, para todos os confins do planeta, isso por enquanto, até que descubramos viagens mais longas por aí, além da nossa própria Lua. Para os que não se comportam bem na vida, enquanto vivos, sempre existirá o fogo do Inferno, onde o penado fica sendo assado para sempre, sem direito a nenhum tempero.É fogo falar sobre fogo, principalmente quando não temos muitas linhas, pois nossos leitores não conseguem se manter no texto se ele for longo - meu desespero... Existe o triângulo do fogo, o da segurança industrial, que estipula três causas básicas: Combustível, Comburente e Temperatura. Basta que não exista um desses três, que nada nesse nosso mundo pega fogo, embora duas pessoas possam fazer arder o maior fogaréu dentro de quatro paredes, números que a Física e a Química não explicam... O fogo mais conhecido pelo homem, um ser normalmente beligerante, é o do que se despeja sobre o inimigo, a fim de que se produzam baixas importantes, para que as batalhas sejam ganhas. Do tempo das cavernas até os dias de hoje, muitos foram os fogos inventados para a morte... Fogo amigo, portanto, é aquele inferno sobre nossas cabeças despejado, por nossos aliados, por engano ou alguma falha de informação.Acreditem: ele é tão maléfico, quanto como se fosse o próprio inimigo a nos lançar o fogo dele, causando-nos sérios estragos... Numa batalha aberta, ele ocorre por conta de coordenadas geográficas alteradas, por diversos motivos que aqui não compete analisar, mas numa campanha verbal, costuma ocorrer por conta dos mal-entendidos, que por sua vez acontecem por conta de uma pontuação mal colocada, significados alterados que produzem entonações diversas àquelas que o autor quis realmente expressar - idéias, minha gente..., isso é o que move o mundo..! Vírgulas, meus caros, as principais vilãs; pontos-e-vírgulas encerrando e dando continuidade ao mesmo tempo, num parágrafo, mas mantendo-se as mesmas idéias; exclamações!, objetivando sentimentos declarados...; interrogações, que exprimem as dúvidas..., alguém tem dúvida?; e pontos finais, que definem o dito, sem reticências..., aqueles três pontinhos peraltas, que dizem mas sem querer dizer..., deixando vocês livres para imaginar..., sei lá!?, o que vocês quiserem! Mal-entendidos são fogos amigos..., e tudo por conta de uma simples pontuação..., pois não basta pensar, tem-se que saber passar para o papel, caso contrário, a dubiedade aparece, a confusão pode se estabelecer, baixas em nossas fileiras podem ocorrer, más interpretações começarem a gerar outras más ações..., e o verbo é muito lindo para não ser poético, e muito forte!, para permanecer em inércia... O verbo veio do Verbo, que nos deu a verve para convivermos...Se vamos emitir opiniões, perguntemos primeiro: é isso mesmo, o que estamos dizendo?Se vamos escrever para os outros, em nós se parecerem, temos que forçosamente conhecer o mínimo de nossa língua, que é rica, que é pródiga, que nos possibilita um sem número de opções para detalharmos cenários ou contextos... Escrevemos como falamos - não existe segredo...O que existe é o não conhecimento de regrinhas tão simples e fáceis, sobre pontuação, aquilo que nos permite respirar e deixar quem nos lê, também respirar; aquilo que nos permite passar para o leitor, nossa entonação, pois que não falamos numa modulação apenas; aquilo que nos permite intensificar, seja a alegria ou a dor, o entusiasmo ou o questionamento, diferenciando a poesia do chulo... Escrevemos principalmente para quem pensa; por isso, termos necessitam ser bem cuidados, para não termos os mal-entendidos..., e me desculpem a brincadeira com o termântico tema, mas a nossa língua é além de linda, muito instigante... Somos todos poetas..! O que nos falta, é a boa prática...* * *
Enquanto ia hoje para o trabalho, pensava sobre nossas perdas e ganhos...
Quando começo a pensar, sigo devagar pela direita, deixando enfim a via esquerda para os sempre apressados...
E pensar na minha cabeça, tem o mesmo significado que escrever, e enquanto não seguro numa pena, vou afugentando as idéias, para não gastar a inspiração...E lembrei que já havia pensado nisso antes; bastava procurar e achar...Perdas e ganhos(Paulo Boblitz – jun/2007)Outro dia eu estava a escrever para uma rede de supermercados, para que ela parasse de me importunar com ofertas, só porque um dia resolveu me cobrar umas merrecas de juros e multa.Um amigo, encontrando-se comigo, brincou:- Essa, você perdeu...Ele não havia entendido nada...Só perdemos quando essa palavra faz parte do nosso vocabulário. Embora eu a conheça, não me utilizo dela, mesmo que às vezes ela me ocorra.Primeiro, porque dinheiro é de papel, portanto pega fogo e se rasga...; depois o ganhamos de novo.Segundo, porque perda é uma palavra como outra qualquer, e está mais para estado de espírito, do que para o bolso.Perdi sim, meu pai, minha doce mãe e dois irmãos... Essas são as verdadeiras perdas, pois vão-se pedaços de nós...
Quando viajamos para uma outra cidade, costumamos encontrar subidas e descidas, curvas e várias retas também.Na estrada, não encaramos nenhuma subida como perda, nem tampouco como obstáculo. Mesmo que viajemos de avião, ele necessitará alçar vôo, para depois pousar.Quando viajamos, principalmente a passeio, não estamos ganhando ou perdendo – estamos simplesmente nos divertindo... Quem ganha é a nossa família, e ganhamos mais amores.Nos acostumamos e até gostamos das dualidades: o bem e o mal, o dia e a noite, o quente e o frio, o mais e o menos, o ascendente e o descendente, e tantas contradições que se opõem.Os antagônicos parecem se atrair... Não é assim com os ímãs? Não é assim com tudo que se contrapõe?, que se anula?Só não é assim com a gente..., pois só nos ligamos aos semelhantes.A dualidade mais famosa, não é a dos sexos?Alguém duvida que não seja gostoso? Alguém acha que se anulam?Alguém ainda pensa que o outro sexo anda perdendo? Mulheres!, vocês vivem ganhando...Macho que é macho, tem metade feminina; fêmea que é fêmea, tem metade masculina. Somos metades da vida, que se unem para formar outra vida, também meio a meio – a única divisão que contradiz a matemática.Perdas e ganhos é invenção do humano, pois no Universo tudo vive interagindo, se transformando, sem a preocupação da perda ou do ganho, ou de quem domina...Não é nos doando, que conquistamos o amor?Não é o amor, o maior divisor?Não é dividindo, que todos ganhamos?Afinal, ficará para quem, aquilo que pela vida tanto brigamos?* * *
Competição em alto mar (Paulo Boblitz - dez/2005) Natal de 1984? 1985? Não lembro mais, pois já faz muito tempo... Estávamos embarcados em pleno natal e ano novo, e alguma coisa haveria de ser feita. Morávamos em contêineres à bordo da Balsa de Serviços 3 da Petrobrás, balsa grande por sinal, que ficara ancorada ao lado da Plataforma de Curimã 2, irmã menor da Plataforma de Curimã 1. Era gostoso sentar no último cabeço das amarras, e ficar observando as ondulações daquele convés comprido, ao sabor das ondas que nos passavam por baixo. Que construção maravilhosa, viva acompanhando o ritmo da dança ondulatória, em flexões ventrais... Quantas forças não estariam conversando naqueles momentos? Estávamos montando as facilidades de produção da grande PCR-1, e tudo aquilo parecia com um estranho formigueiro, espécie de mistura de formigas com cupins, e mais abelhas, todos interagindo sem confusão, pelo menos, sem grandes confusões... Trabalhávamos ali as turmas da Perfuração da Sonda Modulada 4, a da Operação, que seria a herdeira de todo o sistema, e todos nós da Engenharia. O maior contingente era o da Engenharia, entre Fiscalização e Empresas de montagem contratadas. Quando a Perfuração resolvia lavar o convés superior, os serviços de solda eram interrompidos, e boas cachoeiras começavam a jorrar lá de cima. Quando ligávamos os geradores extras, acordávamos o pessoal da Operação. Quando necessitávamos embarcar material, a sonda estava recebendo lama, cimento, água e outras coisas mais. Nunca chegamos de fato às vias de fato, mas tivemos boas discussões, pois cada um tinha em mente somente o próprio serviço em questão. Não há nada como dificuldades, para exercerem fascínio sobre os homens, nascendo soluções. Quem mais atenazava, era o Segurança Industrial, pois em tudo ele tinha que dar o pitaco, dizer se podia ou não podia, e do jeito que tinha que ser. Pior, era quando não podíamos nem usar os rádios de telecomunicação, quando estavam a perfilar um poço, quanto mais produzir alguma vibração...
Ficávamos então, todos absolutamente sem fazer absolutamente nada. Somente esperando. São as horas de ócio, que produzem as mais vibrantes imaginações. Num dado instante, arrumamos tinta amarela, vários pincéis, várias vassouras, um monte de rolos de fita crepe, e outro tanto de trapos, e distribuímos equipes para tudo: a da pintura, a da varrição, a da medição, a da administração, e a da confecção. Afastamos os guindastes para os extremos, e logo entrou a turma da varrição, e em paralelo a turma da medição, pois nossos trabalhos sempre foram precedidos de bom planejamento. Sem muita discussão, que uns bons nomes feios não resolvessem, demarcamos todos os quadrantes, e a turma da pintura logo atrás, pintando ver, tudo de amarelo...
Reservadas à sombra, as equipes da administração e da confecção, trabalharam também acelerado. Em pouco tempo estávamos com as regras definidas, as várias bolas de reposição, e um magnífico campo de Futebol de Balsão. As regras eram simples, definindo data e horário das partidas. Seria permitido o jogo com as botas de serviço, até porque o Segurança não permitiria o contrário, e logo foi designado um juiz que não fosse ladrão. Bolas na água seriam bolas perdidas, pois gandula não seria permitido. Foram construídas umas dez bolas de uma vez, sinal de boa precaução. As equipes teriam de se apresentar até dez minutos antes de qualquer partida. As seleções seriam as das empresas envolvidas, incluindo-se a própria Petrobrás. Os torneios seriam dois, um no natal, e o outro no ano novo, pois estes eram os dois únicos dias do ano em que se trabalhava apenas meio expediente. Chegado o dia certo, dia de natal, equipes distintamente uniformizadas, se é que podíamos chamar aquilo de uniformes, mas o fato é que havia clara distinção, apresentaram-se para a contenda. Foi a tarde inteira de peleja, não com o trabalho, mas com a bola, e equipes foram sendo selecionadas, umas por derrota, e outras por sagração, até que restou somente o último jogo do dia, o de campeão e vice...
Nove bolas já tinham sido perdidas... Daí, alguém mais preocupado, lembrou logo da reposição. O sujeito da Qualidade fez que não, pois não haveria fita crepe para o dia seguinte, dia de trabalho sim senhor. Foi respeitada a voz do dono das fitas, afinal ele é quem sabia onde mais doía, e assim, dada a largada com o apito inicial, começou o jogo mais insosso de um final de campeonato, sem bola alta, sem chute forte e sem grandes divididas, pois a bola era frágil, e sendo a última, todo o cuidado ainda era pouco... Mas o que era tão temido aconteceu..., a bola na água mergulhou..., e todos em uníssono fizeram Ohhh..., e todos olharam para mim, pois a regra da bola perdida era de minha autoria. Hoje eu posso contar, pois já se passaram vinte anos, e nesse tempo, qualquer crime já prescreveu... Uma decisão rápida precisava ser tomada, pois a correnteza já carregava a bola. Eu não ficaria com aquela responsabilidade, de que por minha causa, um campeonato não teria sido concluído. Rápido gritei: - Quem já foi pescador? E logo uns vinte braços se ergueram. Ia ter pescador assim na Cochinchina... E tornei a insistir: - Eu quero saber quem foi pescador de verdade... Aí, apenas um braço levantou, bem sério ele me olhou, e entendi no brilho daquele olhar, que ele sabia mesmo nadar... E balancei a cabeça fazendo sim, e ele que nem um moleque saiu correndo, lançou-se no ar como torpedo, fechou os braços sobre a cabeça em submissão, e espetacularmente fez um Tchibummm!, saindo mais além tomando ar, e com três braçadas chegou na bola... E gritei novamente: - Rápido, uma bóia salva-vidas! E apareceram mais de dez. Se fosse um exercício, talvez não tivesse aparecido nenhuma... E foi nomeado um gandula, e nomeada uma equipe de resgate. A coisa evoluía... A bola de trapos e fita crepe já não tinha mais aquela personalidade que toda bola oficial tem. Ora adotava forma oval, ora saía molhando todo mundo, e um mais abusado chutou para fora... O gandula mais ágil que um gato caiu na água, logo retornando. Mais um pouco, bola fora de novo, e o gandula adorando ser o festival... Outra bola fora, e mergulha o gandula e mais um ajudante de gandula. Aí já era demais, pois até a bola não era mais bola, parecendo aquelas múmias soltando tiras... Puxei ligeiro o encarregado de manutenção da balsa, e pedi a antecipação do grande banho, surpresa do final. Ele entendeu e fez sinal para um ajudante, e logo um jato da mangueira de incêndio aparecia, molhando todo mundo com água salgada, tornando o campo impróprio para um futebol. Houve invasão de campo, e jogadores e torcida começaram um belo banho, logo esquecendo-se da bola, que saiu rolando junto com a correnteza para o mar. Naquele dia não houve perdedores, pois estavam, na hora da interrupção, devidamente empatados, e como o jogo havia sido paralisado por motivos alheios às duas equipes, as duas sentiam-se vitoriosas. Sempre há uma primeira vez, e daquela vez, tivemos dois campeões, resultado digno de uma peleja, balançando no meio do mar... Ceamos cansados naquela noite especial, devidamente confraternizados, sem trocas de presentes, apenas o gargalhar, o tira-teima do lance, o chute bem colocado, o artilheiro do certame, o goleiro mais frangado, e outras tantas troças que cada um gosta de fazer com o outro. Mais ao fundo, o pescador calado, de vez em quando um cumprimento, o salvador do campeonato... Dia seguinte desembarcaram quatro, houve fila para banhos de luz, compressas e bandagens, gente mancando à beça, fruto de um jogo com botas...
O que não se faz embarcado..? * * *
Nostalgia...(Paulo Boblitz - mar/2009)Dedicado a todos vocês amigos mais velhos; a todos vocês amigos mais novos, a pensarem tudo saber; e aos que tem a minha idade, ainda nem tanto e nem tão pouco... Recebendo um arquivo intitulado Nostalgie, não pude evitar as minhas lembranças, essas mesmas que vocês também têm, cada um com as suas, tesouros bem guardados na alma, vida que se viveu de verdade... A vida não deveria ser tão dura, embora eu tenha observado dedos grossos e calejados, mas sim cheia de mais vigor, naquele tempo sim, tudo de verdade, tudo feito a mão, com paciência e desvelo, feito para durar, feito principalmente para ser aprovado, não para o consumir... Vendo os diaporamas, observei as expressões orgulhosas de cada um, nenhum com ouro em cordões, nenhum a ostentar bugigangas feitas na China...Artífices..., a arte combinada com o ofício; Manufatureiros, dum velho Latim já esquecido, onde manu é mão, factu é feito... Pessoas honradas e honestas, punham mais por puro prazer, construíam seus nomes com o suor, orgulhavam-se de cada profissão, este hoje já um vulgarizado termo, pois que no tempo mais antigo, significava o que o Latim queria dizer: professione - ato ou efeito de professar... Mãos rudes que produziam o belo, o delicado, com paciência, pois que a vida era sentida e não corrida. A sociedade gozava de todos os valores, porque toda ela sabia de tudo, por não haver especialistas, estes mesmos que não sabem de nada... Tudo era mais demorado, mas..., por que a razão de tanta pressa?Eles já estavam!, essa é a resposta..., enquanto hoje em dia tentamos chegar, e não chegamos...Fabricavam comidas com sabor, sem corantes, conservantes ou estabilizantes; construíam coisas com alma, alguns de séculos atrás ainda funcionando, e sem computador o cuco informava a hora aos badalos, mostrava as fases da Lua, num tiquetaque irrepreensível, de peças serrilhadas com extremada precisão, numa época em que toscas eram as ferramentas... Dedos grossos, unhas sujas por baixo, produzindo filigranas dignas dos deuses. Como é que conseguiam?Artífices... Por isso temos antiquários, onde tudo é muito caro, pois ali não encontramos descartáveis, filosofia destes nossos tempos dos botões... A arte com ofício, por ofício, por vocação, a produzir com as mãos, dando personalidade a cada feito, pois não havia nenhum igual, mas sim parecido...Ainda existem cantões onde a tradição é religião; só aqui, é coisa de velhos... * * *
Não importando o verbo que utilizemos, quando seja construtivo, sempre estaremos pondo algo em movimento...O bom amigo Wagner Paulino, que preferiria continuar anônimo, pesquisou e descobriu que a frase sobre laranjas e idéias, é de Confúcio, o grande Mestre chinês (551 a.C. - 479 a.C.).Tiramos do anonimato, aquilo que sempre foi de Kung-Fu-Tze... (Confúcio)Anonimato(Paulo Boblitz - mar/2009)Li noutro dia, num blogue que agora não lembro do nome, a seguinte mensagem:"Quando você troca uma laranja com outra pessoa que tem também uma laranja, cada um fica com uma, mas se você tem uma idéia e a troca com outra que também tem uma idéia, cada um fica com duas."A mensagem acima não se traduz em beleza literária, mas sim em certezas, essas coisas boas que semeamos e distribuímos com os semelhantes.Ou ela é do blogueiro, ou ele se utilizou de um dos tantos autores anônimos por aí, semeando para que outros colham, principalmente o verbo. Gostaria de lembrar-me do nome do blogue para citá-lo, mas a memória não ajuda, principalmente depois de tanta produção.Anônimos são todos aqueles que não se identificaram, ou todos aqueles que foram suprimidos, ou todos aqueles que o tempo esqueceu. Um nome só vale para o presente, um pouco para o passado, pois que até este se renova, produzindo mais anônimos, todos esses que já nos deixaram lições, assim mesmo, por semeaduras...Anonimato bonito é quando realizamos algum bem, e de longe apenas observamos...Quem de vocês já não experimentou tal sensação?, dar sem receber?, prestar sem nada querer de volta? Papai Noel vive fazendo disso...O anonimato, porém, é muito mais perverso do que bom. É como se fôssemos anjos caídos, cujo DNA traz a construção, mas o viver, a desconstrução...Tentemos juntar pessoas para uma boa causa, e poderemos ficar decepcionados; ao contrário, basta uma idéia para o mal, e logo uma turba se reúne...Anonimato é como uma espécie de tocaia, onde a vítima não fica sabendo quem foi o seu algoz; nos escondemos quando queremos atraiçoar, ou lançar manchas no próximo, ou até mesmo criticar em tom de brincadeira, onde o ofendido ainda é taxado de não saber brincar...Nos tornamos anônimos num grupo, onde todos se protegem...; nos tornamos anônimos quando não nos identificamos, e isso é covardia...Jesus um dia falou que não precisávamos tomar cuidado com o que nos entrasse pela boca, mas sim com o que dela pudesse sair, pois o verbo pertence ao Verbo, e como tal, tem poder...Anônimos semeamos a discórdia, o desamor, por ciúmes ou ignorâncias...Fazemos coisas tão feias, que até nós nos envergonhamos, nos escondemos do nosso próprio grupo, de nossos semelhantes por teoria...Esse é o pior dos anonimatos...* * *
Essa história é meio a meio..., quer dizer..., metade verdade, metade invenção, porque se não, não teria graça...A verdade é que todo homem, ao chegar nos 50, deve procurar um médico para submeter-se a um exame digital, melhor falando, um toque retal...Mas não precisam aqueles, hoje na casa dos 30, antecipar essa ida sob pretexto de serem muito zelosos com a saúde, nem tampouco aqueles que costumam não acreditar numa só opinião, procurarem duas, três, sabe-se lá quantas...Uma coisa eu faço questão de sugerir: procurem alguém com bastante experiência... Vai que seja um novato, ainda sem muita certeza, e você não saberá se ele está ou não, brincando...A primeira dedada, a gente não esquece...(Paulo Boblitz – abr/2008)1 – Marcando a consulta...Eu estava marcando a consulta, e confesso que não estava assim tão preocupado com a data, mas quando o urologista só pôde me atender bem lá na frente, não deixei de perceber certo conforto...Ainda bem que temos outras preocupações, a nos distraírem a mente...Mas eu tinha que fazê-lo, afinal temos as nossas responsabilidades, conosco mesmos, com a família que ainda conta conosco, com os projetos que ainda nos aguardam, pelas dívidas que ainda necessitam ser pagas, enfim, motivação era o que não faltava...A idade já estava para lá de avançada, para submissão da primeira perscrutação – uma investigação científica em nome da saúde; um método amplamente já aceito pela sociedade, e nada justificava eu ficar protelando...Por outro lado, o investigante seria um profissional, da própria arte.Ocupei-me, assim, de outras atividades diárias, mas sabem como é... ; nossa mente é pródiga e continua processando sozinha, sem necessitarmos estar em vigília. Vez ou outra eu conferia a data na agenda, pois compromisso é compromisso...Um amigo, ao saber da marcação, libertou-se de certo modo, de um trauma. Confessou ter sido, no mesmo médico, perscrutado. Informou até que o marido de uma nossa amiga, também havia sido nele, perscrutado – essa palavra é de muito mau gosto, e até soa desajeitada para o fim a que ela se destina...Lembrando bem, nosso médico da empresa havia informado, ser aquele profissional por ele indicado, muito sério e competente. Da competência eu já esperava, mas da seriedade eu ainda não havia pensado..., e minha primeira reação foi a de que, com gracinhas, ninguém me perscrutaria.Mas o que não tem jeito, não adianta combater. Se é para ser, então que seja logo, afinal, todo homem responsável, na idade correta, deve ser perscrutado. Nesse item, eu estava com crédito, pois há tempos eu havia entrado nela, na idade...Chegou o dia finalmente, não havia escapatória, se bem que no íntimo ainda houvesse aquela esperança, a de que o médico perscrutador não pudesse, por razões alheias às dele vontades, trabalhar naquele dia...Mas não recebi nenhuma comunicação. O compromisso estava de pé. O profissional levava a sério o trabalho dele. Então, que não passasse desse dia, já que nesse dia teria que ser. Estava escrito nas estrelas...Interessante é que não conseguimos ficar imunes. A coisa, não me referindo ao dedo perscrutador, mexe com a nossa cabeça, não importa se levemos na brincadeira ou no deboche, mas no dia específico, acordamos diferentes... Demonstramos certa instabilidade comportamental, e começamos a nos preocupar:- "E se nosso conduto a ser perscrutado, estiver cheio de massa? Ficaremos envergonhados..." – pensei numa lógica trivial...Logo, nos ajustamos à situação. Comi mamão bem cedo e ele fez efeito, mas efeito além do desejado. Não precisava agir assim em exagero, o mamão...Depois de umas três idas ou quatro, uma certa ardência se estabelece por pura normalidade muco-resposta, afinal, daquela forma ele, o dito a ser perscrutado, não é acostumado...Melhor pelo mamão, do que pelo dedo inglório, mas que não sirva de desculpa para um maior zelo, do perscrutador em questão.Agora um outro fato me preocupava: minha reputação... Ardido por funcionar em demasia, deve estar com outra apresentação. Quando lá chegar, vou logo avisar:- Doutor!, foi caganeira!* * *2 – Na sala de espera...Enfim chegou a hora e lá tenho que ir. Que meu Anjo da Guarda me ajude; que lá não me deixe encontrar nenhum conhecido...Lá na minha sala, e na do médico do nosso trabalho, descobri que o perscrutador escolhido, era bem freqüentado. Devia conhecer tudo o que era de..., bom..., digamos..., perscrutados da nossa empresa.Iguais a mim?, hum..!, tinha muita gente..., fora os que ainda chegariam na dita necessidade...Lembro que quando a conversar com o médico da nossa empresa, a perguntar se ele não conhecia algumA profissional que me viesse a dar cabo, de tão inusitada e encabulada questão, recebi o NÃO mais negativo da vida. Ele, mostrando certo envolvimento com o meu desalento, até comentou com ares de investidor: "se existisse, ela já estaria rica..."De fato ele tinha razão... Quem em sã consciência?, em sã preferência?, não preferiria um dedo delicado feminino, ao de um cheio de tumefactas articulações? Quem!?Quando resolvi fazer tal exame, até por desabafo da consciência, pensei num médico amigo..., mas pensei melhor e vi que amigo, a mexer naquilo da gente, não esqueceria jamais do nosso pudico escondido, duas vezes coberto por panos, um tabu a ser defendido...Eu acabaria perdendo o amigo, pois toda vez que ele me olhasse, eu não saberia qual olhar seria aquele... Por outro lado, um profissional desconhecido, logo se ocupa do..., digamos..., perscrutado de outro. Já um amigo?, hum..!, esse jamais esqueceria...A sala de estar era como todas as outras: revistas, um ar condicionado, uma atendente a nos encarar, a ter satisfeita a própria revanche, pois era como se grávidos estivéssemos.Não quis observar aquele leve sorriso...; pensei melhor achá-lo alguma simpatia, e ocupei-me com algum artigo, sem contudo bem entende-lo, pois a cabeça, esta só pensava insistentemente no assunto, prestes a ter um desfecho – duas preocupações: a primeira, da perscrutação (recuso-me a utilizar o termo "penetração"); a segunda, do que poderia ser encontrado...O íntimo da gente, o tempo todo se defende... Pensava na hora do encontro, aliás, ele não conseguia sair da minha cabeça, e uma saída, uma esperança logo foi encontrada – primeiro ele pediria exames...As estratégias e as expressões, todas elas foram ensaiadas, na mente é claro, mas só descobriria quando lá estivesse, frente a frente com o sujeito. Entrava logo quebrando o clima?, ou entrava circunspecto?Nem um, nem outro... Se eu entrasse com alguma simpatia, ele poderia pensar que eu estava a querer intimidade; se eu entrasse sisudo, ele poderia pensar que eu já estava acostumado. As duas maneiras me deixariam mal...Cheguei à conclusão que deveria entrar e me apresentar, e logo sentar, o mais natural possível, e deixar claro nas próximas etapas, que a coisa não era bem daquele jeito, que era a minha primeira vez, e que por isso ele fosse com jeito...E pensar que eu ainda tinha que pagar por aquilo...Pensei melhor e lembrei que para todo bônus, há sempre de haver um ônus...; arrumaria algum defeito no pinto..., e de lá, sairíamos empatados...Ainda faltam três na minha frente, e só agora noto que a revista está em minhas mãos, de cabeça para baixo...* * *3 – A consulta...- Senhor Paulo!? A sua vez... – informou a atendente. Não sei por que, mas acho que ela agora estava a sorrir mais abertamente...Olhei para ela, ao mesmo tempo em que fechava a revista e guardava os óculos.Levantei-me e, na porta às minhas costas, já estava o médico perscrutador me aguardando...Ao me chegar mais próximo, ele me estendeu as mãos em boas-vindas, no que a vista logo prestou atenção naqueles dedos... Dedos longos, porém finos. Ainda bem...O médico perscrutador de cavidades alheias, era um sujeito ainda jovem, mas nem tanto que dele a seriedade lhe fosse roubada. Pelo menos as articulações não possuiriam nódulos...Usava lentes grossas, ponto a meu favor, pois que deficientes visuais, desenvolvem maior sensibilidade no tato, o que significaria um exame rápido. Fosse um bom de visão, a tendência seria não acreditar no que o dedo sentisse, e a mais cavucar atrás de algum segredo...Calmo, mostrou-me uma cadeira. Enquanto ele puxava o teclado do computador e digitava alguma coisa, passeei o olhar pelo consultório, simples até, sem os peixinhos lá de fora, num aquário a separar ambientes, a dispersar tensões, pois que peixinho de aquário, tem sempre uma calma infernal...- É a sua primeira vez, não!? - e eu não soube se ele perguntava sobre o dedo, ou sobre a consulta com ele - ponto para mim de novo, pois podia significar pouca memória...Respondi que sim, só para ouvir a pergunta clássica:- Do que é que está se queixando?Então eu pigarreei, e informei que não havia nenhuma queixa, mas que o médico da nossa empresa havia recomendado, e mais isso e aquilo, que todos vocês já sabem - não preciso repetir, e para ciência de vocês, ele entendeu...Acho até que ele já sabia... Esse pessoal especialista, quero dizer, médico de uma disciplina só, só cuida daquilo, da especialidade dele. Então, a ver todos os dias os mesmos assuntos, acaba desenvolvendo uma psicologia para cada fato ou cada queixa. Deve ser assim: ele olha para um sujeito, e no íntimo já sabe – não consegue mijar...; ele olha para outro e também já mata a questão – esse daí é dedada...; e assim por diante com cada problema, que ele já está ficando careca de tanto ver.Depois da nossa conversa, e de algumas perguntas, chega o ponto que tem que chegar. Quem já conhece, sabe bem do que falo...Levantou-se e mostrou-me uma porta, solicitando:- Queira me acompanhar...Entrou primeiro e, como não havia espaço para uma ultrapassagem, fui obrigado a acompanhar todo um cerimonial, nada que não fosse normal, mas acho que algo necessário para nos prepararmos para a posição, fosse qual fosse ela, sobre a cama. Com cautela, puxou um papel, que foi desenrolando na altura da cabeça; cortou um pedaço e arrumou como se fosse a roupa de cama, pois que aquilo era uma cama, onde logicamente, eu raciocinava, deveria me deitar...Terminada a arrumação, ele se virou bem calmo e mandou que eu me deitasse, e que não precisava tirar as botas e nem as calças...Em tudo na vida, há de haver psicologia. Eu ia deitar-me completamente vestido! Por instantes, aquele dedo vil conseguiu sair da minha cabeça! Era ele ganhando tempo, enganando e desconcertando a minha vigília! Caí na rede...; não haveria escapatória...; uma ida sem volta...Deitei-me obediente e cauteloso, afinal naquilo eu não tinha experiência, enquanto ele calmamente aguardava. A posição? Barriga para cima... Olhou para mim e apontou até onde eu deveria arriar as calças, claro que junto com as cuecas.Enquanto eu me desvencilhava da cintura e do fecho ecler, ele mexia em algo numa banqueta – pléc, stléc – era a luva de borracha...Pelo canto do olho vi o movimento, um típico passar de vaselina, e se alguém estiver agora excitado, já pensando em alguma data a marcar, que vá mais devagar, pois lembro que o momento é bastante vexatório – um estranho prestes a adentrar-se nas nossas entranhas... Tudo na mais completa formalidade...Com a ferramenta pronta, o dedo maior de todos, solicitou que eu abrisse as pernas:- Um pouco mais... - insistiu de novo.Sem tempo nem para raciocinar, ou antever o ato, aquela ponta perscrutou o pobre olho cego, juro, espetando até a minha alma. Que situação..., um sujeito com o dedo todo atolado dentro de mim, como a procurar alguma raiz!?Agora sei como é um exame ginecológico... Ainda bem que ele não estava de frente, sentado, olhando aquilo também olhando para ele, sendo perscrutado..., filmando para ficar documentado..., num arquivo técnico, de um dedo no cu em pesquisamento..., para depois mostrar ao paciente, pois que virou para um lado, depois para o outro, espetou para cima e quase me mijo...O exame em si não tem nada de mais, a não ser pelo detalhe que nos penetra pelo buraco mais sagrado. Esquisito é quando sentimos aquela mão, a nos limpar o rego com uma folha de papel toalha, mas..., se faz parte do exame...!O fato é que do jeito que entrou, saiu..., e logo ele me disse:- Pronto! Está tudo normal... Pode ficar tranqüilo... Vamos pedir um exame de sangue e um ultra-som, para acompanharmos um histórico, e depois com um ano, repetimos de novo.Vesti-me novamente e fomos para o consultório. Enquanto ele emitia as solicitações, pensei comigo mesmo: "melhor um dedo agora no rabo, do que cinco mais tarde, em cada alça de um caixão...Apertamos as mãos e voltei contente para casa; um peso havia sido jogado fora, e para quem ainda não fez o exame, penso agora que o ruim será na segunda vez...Cu conhecido, já começa a querer fama...* * *
Quando vi a notícia com o avião da TAM, a história rápido se desenhou... Isso foi em agosto de 2006.E foi uma confusão danada, pois os amigos não paravam de ligar. Havia esquecido de informar que era ficção, não a história da porta, mas a da minha mochila...Que foi divertido, isso foi...Aviso! Eu não estava naquele avião!Estouraram a minha mochila(Paulo Boblitz - ago/2006)Mal havíamos decolado, Bruuummm..!, lá se foi a porta do avião...Foi um desconsolo geral, com a pobre da aeromoça dando brecha enquanto se segurava de qualquer jeito na poltrona, quase colada à porta em questão...A peruca de alguém logo voou, e cabelos os mais diversos começaram a desgrenhar.Meu coração bateu profundo e ecoou nos intestinos, que dali para a frente intimidaram com muita pressão.- Senhoras e Senhores..!, aqui quem vos fala é o Comandante do avião. Tivemos um pequeno problema e já estamos retornando ao aeroporto. Queiram, por gentileza, permanecer sentados com os cintos afivelados...No meio de duas turbulências, a do avião sem porta e a da minha interna de emoção, já em aperto garantido, refleti que o Comandante havia abusado da redundância, pois que se era o Comandante, só poderia ser do avião, e com o avião sem porta..., quem seria o atrevido a desafivelar o cinto?, ainda mais levantar da poltrona!?A Aeromoça, já mais refeita do sobressalto, olhando com semblante irritado para o passageiro deslumbrado à sua frente, recompunha-se fechando as pernas, e mais calma, porém descabelada, já ensaiava um sorriso amarelo para todos, fazendo questão, no entanto, de lançar seu desprezo para o degenerado que não havia perdido tão inusitada oportunidade.Seguimos em lenta curva de retorno, aos sons misturados de vento com turbina, e pareceu-me por instantes, vislumbrar olhar curioso de um urubu, como quem olhasse tamanho pássaro metálico, entrevendo as suas entranhas... Dei de ombros e achei que aquilo era pressão da minha barriga, como se eu pudesse, não esperar pelo pouso do avião...Olhei à volta e pude ver mais calma nos semblantes; meu próprio coração já havia entrado em compasso de aventura, minha adrenalina agora me tornava em herói; só a minha barriga, terrorista, insistia no dilema. Firme logo pensei: "não vou "repactuar"!, se quiser, que faça na poltrona, afinal já está sem porta mesmo..!"Logo sentimos o duro concreto sob as rodas, e mais um pouco chegávamos ao terminal dos passageiros. Catapultado pela necessidade, apertei minha mochila e saí correndo, e com alívio fui me desfazendo das agruras...Já mais corado, lavei as mãos e saí dali, dirigindo-me ao balcão das informações, onde todo mundo já estava falando ao mesmo tempo, reclamando e contando a história...Absorto em meus pensamentos, via como as coisas nem sempre são complicadas, e que podemos manter a calma, mesmo quando à nossa volta estão em desespero, em trapalhadas - agora eu ligava a "repactuação" ao desastre, que veio e se apresentou, nos deu um susto mas já passou e foi embora, e que um dia apresentar-se-á com outra roupagem, com outros terrores e ameaças, testando o nosso poder de enfrentamento e discernimento.Enquanto agradecia a Deus pelo nosso bom senso, pela nossa prudência, pela nossa coragem diante das tantas pressões, percebendo que nada nos merece a confiança, vi um rebuliço danado em outra direção.Jornalistas e câmeras dirigiam seus focos para lá, para o homem protegido com roupa especial, aquele que desarma bombas ou as faz explodirem à distância, pois alguém havia encontrado uma bagagem suspeita abandonada, e com os recentes ataques na noite anterior, pelo crime organizado à cidade de São Paulo, ninguém queria arriscar.Cheguei a ficar indignado e receoso, que uma vida pudesse vir a se perder na tentativa de um desmonte, e sugeri ao meu vizinho que a coisa deveria ser explodida à distância, quando aproveitei para perguntar:- Onde é que tá o tal negócio..?- É aquela mochila ali... - apontou-me prontamente.Achei parecida com a minha, olhei para os lados e tive a certeza... de que era ela mesma!, esquecida quando minha barriga tomou o lugar da cabeça...Ainda tentei levantar o dedo e gritar, quando Bruuummmm!!!; lá se foi a minha bagagem pelos ares...Desolado ainda pude sorrir, quando vi os expertos analisando meus trapos incendiados, tudo saindo em rede nacional, em tudo quanto era plantão de noticiário, e de repente me senti famoso...Agora, o meu dia estava completo...* * *Glossário:- "repactuação" - trapalhada aventureira que nos quiseram impor, substituindo o certo pelo duvidoso, em nosso plano de aposentadoria privado.* * *